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Reflexão da liderança: Força ou “Jeito”?
Por Fabio Natsumeda

 

Domingo à noite, já me preparando para a semana de trabalho que estava prestes a começar, e a minha filha mais velha anuncia: “Pai, aconteceu um acidente!”.
Mostrando um misto de arrependimento e embaraço, ela chega com o tablet em suas mãos. Chegando mais perto, fica evidente o que aconteceu. A tela do equipamento havia quebrado…
“Pai, não sei bem o que aconteceu. A capinha do tablet estava desencaixada e eu só fui encaixá-la de volta. Quando eu forcei a capinha contra o tablet, notei que havia um pequeno parafuso, mas aí, a tela rachou… Pelo menos, consegui colocar a capinha de volta.”.
Passado o momento de surpresa e de descrença, fui investigar o tablet. Realmente, a capinha de proteção estava corretamente posicionada, protegendo o equipamento. Verificando a área da tela afetada, só restava vidro rachado. Comecei a limpar o tablet para eliminar os restos de vidro e acabei encontrando o parafuso que a minha filha mencionou.
Era um parafuso surpreendentemente pequeno, mas suficientemente grande para causar um belo estrago na tela de vidro do tablet. Depois de finalizar a avaliação do que aconteceu, chamei a minha filha e a convidei para fazer uma reflexão comigo sobre o acontecido.

 

1.  Agradeci o fato dela ter absorvido e retido a orientação que dei sobre utilizar a capa de proteção no tablet. A minha orientação acabou sendo um driver para a sua tomada de decisão.
 
2. Também agradeci a sua tentativa de reposicionar a capa que havia desencaixado do equipamento. Ao driver absorvido, a minha filha também conectou a necessidade de execução.
 
3. Porém, a questionei se o emprego da força para reposicionar a capa era o mais adequado uma vez que ela já havia identificado o pequeno parafuso como obstáculo. Será que, com “jeito”, com um olhar mais abrangente e sensível, ela não perceberia que chegaria ao mesmo resultado (tablet protegido pela capa) sem ter rachado a tela do equipamento? Transportando esta situação vivida em meu ambiente familiar para o ambiente corporativo, vejo semelhanças regulamente vividas pelos líderes em seus desafios de entrega de metas e de construção de alta performance. A seguir, compartilho com vocês algumas reflexões que, espero, também os incentivem a refletir sobre o tema.
 
A. Objetivos, prazos e alta performance são drivers naturais dos líderes e, para atendê-los, os líderes buscam uma execução prática para atender o que é esperado ou o que é definido pela sua companhia.
 
B. Não raramente, durante a pavimentação da execução, vejo líderes fazendo o uso da “força” em favor da entrega dos objetivos, dos prazos, da alta performance. Limitando esta reflexão ampla e complexa ao tema de saúde, segurança do trabalho e meio ambiente nas companhias, por “força” entende-se posicionamentos inflexíveis da liderança privilegiando a produção em detrimento à saúde e segurança dos seus liderados ou ao meio ambiente.
 
C. É interessante notar como os líderes, ainda que incentivados por objetivos positivos, optam por “forçar” decisões tóxicas aos seus liderados para alcançar os seus objetivos, respeitar prazos ou consolidar uma alta performance. É inequívoco que os drivers da liderança possuem uma conotação positiva pois somente com os seus atingimentos a construção de prosperidade é permitida. Porém, drivers positivos não podem servir como argumentos para comportamentos de risco, seja do líder ou de seus liderados. Ou seja, os fins não podem justificar os meios.
 
D. Caso a força encontre um obstáculo (por exemplo: ferramenta inadequada para a atividade), ainda que pequeno e aparentemente inofensivo, há o risco de acontecer danos. Estes danos podem ser materiais, físicos ou emocionais e, em situações extremas, podem ser irreparáveis.
 
No livro “Capitalismo Consciente – Guia Prático”, os autores Raj Sisodia, Timothy Henry e Thomas Eckschmidt defendem que, hoje, a liderança importa mais do que nunca e que a liderança atual precisa ser baseada em propósito, inspiração, cuidado e compaixão. Eles definem esse novo tipo de liderança como liderança servidora e apresentam os atributos essenciais que a caracteriza: força, energia e entusiasmo, orientação de longo prazo, flexibilidade, amar e cuidar, inteligência emocional, inteligência sistêmica e inteligência espiritual.
A abordagem da liderança servidora é o que eu estou denominando, de forma coloquial, como “jeito”. Defendo que utilizando o “jeito”, ao invés da força, chegaremos aos mesmos resultados e, ao longo da jornada, ainda desenvolveremos o cuidado e a inspiração junto à equipe, de forma sustentada. Em nossa posição de líder, é desnecessário e injusto colocar em risco a segurança de sua equipe para atender uma meta de produção, por exemplo. A aplicação da liderança servidora, ou o “jeito”, pode demandar um investimento de tempo maior para trazer os mesmos resultados, mas dificilmente trará danos irreparáveis aos stakeholders e a jornada ainda será muito mais recompensadora, tanto para o líder quanto para os liderados.
Então, na próxima vez que você, líder, estiver “naquela” encruzilhada, onde todos estão aguardando você decretar “aquela” decisão, eu o convido a experimentar o “jeito” e deixar a força para trás, no passado, porque a força já não tem lugar na nova visão de liderança. A liderança servidora.

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