comportamento comportamento, Autor em Comportamento | Psicologia do Trabalho https://comportamento.com.br/author/comportamento/ Somos uma consultoria experiente que apoia o desenvolvimento de culturas preventivas por meio de ações voltadas para o comportamento humano. Fri, 13 Sep 2024 13:30:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://comportamento.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Favicon.png comportamento comportamento, Autor em Comportamento | Psicologia do Trabalho https://comportamento.com.br/author/comportamento/ 32 32 VAMOS FALAR DE PSICOLOGIA APLICADA A SEGURANÇA DO TRABALHO? https://comportamento.com.br/vamos-falar-de-psicologia-aplicada-a-seguranca-do-trabalho/ Fri, 16 Feb 2024 12:05:43 +0000 https://comportamento.com.br/um-ensaio-comparativo-entre-a-base-de-dados-de-uma-consultoria-em-psicologia-do-trabalho-brasileira-e-a-literatura-internacional-copy/ O post VAMOS FALAR DE PSICOLOGIA APLICADA A SEGURANÇA DO TRABALHO? apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Vamos falar de psicologia aplicada a segurança do trabalho?

 

Maria Cristina de Cristo

Ana Carolina Reis

 

Pense na psicologia aplicada as organizações. Quais atividades você diria que o psicólogo estaria desenvolvendo?

Podemos supor que você associou o psicólogo às áreas de recursos humanos, e que estaria desenvolvendo atividades com recrutamento e seleção, testes e avaliações, além de treinamento e desenvolvimento de pessoas. 

São raras as conexões que se fazem com a qualidade de vida no trabalho e, em especial, com a segurança dentro do trabalho. Pensando nisso, falaremos justamente sobre essa atividade pouco explorada: a atuação do psicólogo em saúde e segurança do trabalho. 

Com esse relato de experiência, nosso objetivo é ampliar os horizontes de diversos públicos, como os estudantes de psicologia, psicólogos e demais profissionais. A todos os públicos, e em especial aos estudantes de psicologia, tentaremos levar um pouco de perspectivas práticas, sem academicismos e excessivas referências, mas sempre embasadas academicamente.

Falaremos a partir do ponto de vista de nossa trajetória. Somos psicólogas, uma mestre em psicologia e outra em educação, com especialização em áreas correlatas e trabalhamos com consultoria em atuação direta com a saúde e segurança do trabalho. A partir de nossas vivências nas grandes empresas brasileiras e multinacionais, e partir de nossa trajetória acadêmica, percebemos o pouco acesso dos estudantes e profissionais à essa área de atuação.

Acreditamos que, ao compartilhar um recorte das nossas experiências, podemos contribuir para que a nova geração de profissionais visualize a Segurança no Trabalho como um caminho possível, dentre tantos outros no âmbito da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT). Nossa missão é tornar mais visível este frutífero campo de atuação que nos encontramos atualmente, possibilitando que estudantes e profissionais compreendam a importância e a rotina do psicólogo na promoção da saúde e segurança no trabalho.

 

A psicologia aplicada à segurança do trabalho

 

A entrada do psicólogo nas áreas de saúde e segurança coincide com a trajetória de evolução do mundo do trabalho, que são acompanhadas pela criação de leis trabalhistas e Normas Regulamentadoras(NR).  O mundo do trabalho foi ficando cada vez mais complexo e necessitando de conhecimentos complementares ao de outras áreas já tradicionais, como a administração e a engenharia, para suportar o crescimento, a internacionalização e a modernização das empresas.

O tempo mostrou que somente os avanços tecnológicos e sistemas complexos não suprem totalmente as demandas que anseiam uma evolução perene. É necessário atentarmos às necessidades emocionais, sociais e psicológicas no contexto do ambiente de trabalho e da segurança organizacional. A chamada “3ª onda da segurança”, que teve início nos anos 2000, destaca a importância de abordagens mais humanas e psicologicamente informadas na gestão da segurança. Isso reconhece que não se trata apenas de implementar tecnologias ou padrões, mas também é necessário compreender e responder às complexidades das interações humanas no ambiente de trabalho.

Nessa conjuntura, a psicologia desempenha um papel fundamental, ajudando a entender as dinâmicas do grupo e organizacionais, as conciliações, as motivações, as relações interpessoais e outros fatores psicológicos que influenciam o comportamento no trabalho. A escuta ativa, a empatia e a compreensão das necessidades individuais e coletivas são ferramentas valiosas para promover um ambiente de trabalho saudável e seguro. Portanto, a integração de abordagens humanas, como a psicologia, juntamente com o desenvolvimento tecnológico, se torna primordial para criar soluções abrangentes e eficazes em diversos contextos, incluindo a segurança do trabalho.

 

Possibilidades de atuação do psicólogo

 

Dentro de uma empresa o psicólogo pode atuar ligado diretamente a área de segurança local ou corporativa, assim como em uma posição equivalente a um Business Partner de RH, que o mercado tem chamado de analista comportamental ou analista de cultura. Observamos que esses cargos têm crescido de forma significativa nos últimos cinco anos em empresas de diversos segmentos, justamente com o desenvolvimento de uma mentalidade que coloca o volume de produção, segurança e a qualidade como elementos que devem ser equilibrados. 

Nessa posição, espera-se, com base na nossa experiencia como consultoras, que o profissional esteja atento tanto aos processos quanto às pessoas. Desse modo, dentre as principais atribuições do psicólogo estão:

  • Desenvolver diagnósticos de clima e cultura de segurança;
  • Desenvolver diagnóstico de fatores de risco e riscos psicossociais;
  • Desenvolver planos de ação e de intervenções que apoiem as áreas na eliminação ou mitigação dos riscos;
  • Desenvolver planos de transformação da cultura de segurança;
  • Desenvolver trilhas de aprendizagem e aplicar treinamentos à líderes e áreas operacionais, portando-se de critérios andragógicos e participativos;
  • Fomentar um canal mais aberto para que os trabalhadores expressem suas preocupações, sugestões e necessidades em torno das questões de saúde e segurança;
  • Realizar pesquisas e estudos empíricos que explorem as experiências reais dos trabalhadores, de forma a adaptar o trabalho às necessidades humanas;
  • Enriquecer processos de investigação de acidentes, incorporando métodos e teorias psicológicas para entender melhor como o comportamento humano e as dinâmicas interpessoais podem influenciar a segurança;
  • Apoiar a gestão de crises, lançando mão de técnicas e conceitos em prol da resiliência e o bem-estar mental dos indivíduos afetados;
  • Dentre muitos outros.

 

Como você já observou, existe uma variedade de funções desempenhadas pelo psicólogo no campo da Segurança do Trabalho. Essa atuação não somente influencia diretamente a segurança física de pessoas e processos organizacionais, como também estão indiretamente ligados à saúde mental. A cultura de segurança, com suas nuances, reflete de maneira direta nas condições sociais e materiais dos indivíduos, sendo uma força motriz que pode moldar significativamente os movimentos que dão vazão ao processo de produção de saúde. 

Cabe ressaltar que nossa capacidade de sermos saudáveis está intimamente ligada ao ambiente em que vivemos e interagimos. Nesse contexto, a atuação do psicólogo sobre o desenvolvimento da saúde mental é um vasto campo a ser explorado, sobretudo nos tempos disruptivos que vivemos. O trabalho desempenha um papel fundamental na vida humana, e, portanto, é crucial cuidarmos dele com dedicação e atenção. Ao zelarmos pelo trabalho, estamos ambicionando o trabalho digno e saudável e, de maneira simultânea, cuidamos das pessoas e de seus projetos de vida. 

Nesse contexto, a atuação de nós, psicólogos, se torna fundamental, permitindo uma abordagem mais aprofundada das lacunas existentes (relação trabalho – vida pessoal), agindo como facilitadores na identificação e superação de obstáculos ao bem-viver no ambiente profissional. Pois, sim, devemos buscar incessantemente o bem-viver no trabalho, haja vista sua centralidade na vida humana.

Quando nos dirigimos à área de operação, durante uma observação e abordagem, por exemplo, compreendemos que, em um segundo momento, nos tornamos portadoras de múltiplas vozes. Essas vozes carregam consigo responsabilidades, perspectivas e experiências vividas que merecem ser ouvidas e consideradas na implementação dos processos organizacionais de segurança. Ao compreender e endereçar as dinâmicas psicossociais, o psicólogo contribui para a promoção de uma cultura organizacional saudável, onde tanto a segurança física quanto a mental são prioridades indissociáveis para a evolução do negócio. 

Dando continuidade, outra possibilidade de atuação do psicólogo está diretamente ligada ao atendimento de NRs específicas. Algumas NRs citam a necessidade dos executantes das atividades passaram por testes e avaliações, mas ainda é uma área nebulosa de atuação e interface como outros profissionais como, o médico do trabalho, o ergonomista e o técnico de segurança. Vamos exemplificar:

A NR-17, que aborda a ergonomia no ambiente de trabalho. Nós, psicólogas (os), em parceria com a equipe de segurança e saúde ocupacional, poderíamos atuar na criação de avaliações para entender como as condições de trabalho afetam emocionalmente os colaboradores, identificando aspectos que impactam o bem-estar, assim como o desempenho do pessoal. A partir da utilização de questionários, entrevistas e até mesmo grupos focais, por exemplo, poderíamos analisar fatores como o estresse e a carga mental, buscando melhorar a qualidade do ambiente laboral de forma condizente com as necessidades locais.

Na NR-33, sobre segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados, poderíamos atuar na elaboração de ferramentas para entender como as pessoas lidam com situações de confinamento, como gerenciam o estresse em ambientes restritos e como trabalham em equipe nessas situações críticas.

Já na NR-35, que trata do trabalho em altura, poderíamos avaliar o perfil psicológico para entender aspectos como: a disposição para se colocar em zonas de riscos, a habilidade de se concentrar em atividades em altura, autoestima, forma de gerenciamento do medo etc. Atrelado a isso, seria possível desenvolver ações educativas andragógicas para fortalecer a consistência técnica, emocional e o desempenho desses trabalhadores.

O que percebemos no dia a dia é que existe um movimento persistente de reconhecimento da importância da nomeação e manejo dos riscos psicossociais no trabalho, mas, é importante mencionar que ainda existe um longo caminho para ser percorrido, com o intuito de garantir uma abordagem abrangente e efetiva na gestão desses aspectos. Isso também perpassa pela necessidade de formação continuada, inserção das temáticas estratégicas nas grades curriculares e da produção de conhecimento, bem como a sua disseminação. 

 

Viu só como a nossa atuação acaba sendo abrangente? Pois bem!  Com base em nossas experiências de graduação, notamos que essas oportunidades práticas costumavam ser pouco disseminadas, seguindo na contramão do florescimento desse campo de atuação. Muitas pessoas que trabalham nessa área só descobrem a psicologia aplicada à Segurança no Trabalho após passarem pelo processo formativo, quase por acaso, na base da “sorte”. Podemos inferir que essa percepção também se repete com as gerações atuais, conforme constatamos recentemente ao interagir com estudantes de graduação em Psicologia em uma universidade pública. Durante uma entrevista para um trabalho acadêmico, percebemos certo espanto deles pela falta de conhecimento sobre o tema.

Em suma, as breves observações discorridas no nosso texto evidenciam a importância e a necessidade de ampliar a disseminação das oportunidades e práticas profissionais na área. Observamos como urgente que os espaços de conhecimento falem mais sobre tais linhas de atuação. A inclusão dessas temáticas nos currículos acadêmicos, realização de workshops específicos e parcerias/convites com profissionais atuantes na área são estratégias fundamentais para proporcionar aos estudantes um conhecimento mais abrangente e alinhado com as demandas contemporâneas, não somente de mercado, mas principalmente no tocante a responsabilidade social.

 

Para saber mais, você pode acessar:

https://revistas.editoraenterprising.net/index.php/rpcj/article/view/336/506

https://site.cfp.org.br/resolucao-cfp-02-2022-regulamenta-avaliacao-psicossocial-no-trabalho/

https://periodicos.fgv.br/abpa/article/view/17043

https://ojs.unesp.br/index.php/rlaborativa/article/view/3803

https://old.sbpot.org.br/publicacoes/artigos/a-falta-do-psicologo-da-saude-ocupacional-na-equipe-de-seguranca-do-trabalho/

1 Psicóloga (UFRN), Mestre em Psicologia Social (UFMG), Pós-graduada em Neuropsicologia (FUMEC) e Consultora na área da segurança comportamental 

Contato: mcristinadecristo@gmail.com

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/maria-cristina-vieira-de-cristo-e-silva-68420915b/

2 Psicóloga (UFF), Mestre em Educação (UFSCar) e Consultora na área da segurança comportamental 

3 As Normas Regulamentadoras, ou NRs, são disposições, requisitos e procedimentos técnicos que os empregadores devem seguir para garantir a segurança e saúde dos funcionários no ambiente de trabalho. Criadas em 1978 para dar suporte à Lei nº 6.541, as NRs devem ser adotadas por todas as empresas que pertencem ao regime CLT.

Contato: psi.anareis@gmail.com

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/psicologa-anareis/

4 Definição do Health and Safety Commission (HSC) da Advisory Committee on the Safety of Nuclear Installations (ACSNI):

A Cultura de Segurança de uma organização é o produto dos valores, atitudes, percepção, competências e padrão de comportamento de indivíduos e grupos que determinam o comprometimento, o estilo e a proficiência do gerenciamento da segurança do trabalho da organização.

5  Andragogia  é  a  ciência  que  estuda  como  os  adultos  aprendem, Bellan(2005).

6 Momento de interação com funcionários das áreas operacionais das empresas, entendido como uma ferramenta de segurança, que busca conhecer e trocar experiências sobre e saúde e segurança do trabalho.

7 Texto escrito em dezembro de 2023.

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UM ENSAIO COMPARATIVO ENTRE A BASE DE DADOS DE UMA CONSULTORIA EM PSICOLOGIA DO TRABALHO BRASILEIRA E A LITERATURA INTERNACIONAL https://comportamento.com.br/um-ensaio-comparativo-entre-a-base-de-dados-de-uma-consultoria-em-psicologia-do-trabalho-brasileira-e-a-literatura-internacional/ Tue, 31 Oct 2023 13:01:22 +0000 https://comportamento.com.br/los-aportes-del-diagnostico-de-cultura-de-seguridad-en-una-muestra-brasilena-del-sector-de-energia-copy/ O post UM ENSAIO COMPARATIVO ENTRE A BASE DE DADOS DE UMA CONSULTORIA EM PSICOLOGIA DO TRABALHO BRASILEIRA E A LITERATURA INTERNACIONAL apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Um ensaio comparativo entre a base de dados de uma consultoria em psicologia do trabalho brasileira e a literatura internacional

 Autora: Maria Cristina Vieira de Cristo e Silva

Psicóloga (UFRN), Mestre em Psicologia Social (UFMG), Pós-graduada em Neuropsicologia (FUMEC) e Consultora na área da segurança comportamental

*  Este artigo foi publicado originalmente na Revista Proteção eds. 379 e 380 ano 2023.

 

INTRODUÇÃO

O objetivo deste ensaio é apresentar os conceitos e modelo da cultura de segurança utilizados pela Comportamento Psicologia do Trabalho, uma consultoria em psicologia do trabalho, que atua há 26 anos no mercado brasileiro e internacional, assim como dados de artigos científicos acerca das ações implantadas em diversos países para o desenvolvimento da cultura de segurança. Por fim, fazer uma análise comparativa quanto aos dados apresentados nesses artigos e os dados obtidos pela Comportamento Psicologia do Trabalho, a partir de 92 propostas de intervenção solicitadas por empresas brasileiras que foram deferidas[1] no ano de 2021.

O presente ensaio não tem a pretensão de ser uma revisão bibliográfica ou do estado da arte da cultura de segurança, mas tem como propósito fomentar o compartilhamento dos dados obtidos por consultorias que atuam na área da segurança do trabalho, tornando-o fonte de consulta para empresários, estudantes, pesquisadores e demais profissionais da área.

DEFINIÇÃO DA CULTURA DE SEGURANÇA

Falar sobre a cultura de segurança e de como desenvolvê-la em uma empresa não é tarefa fácil. Apesar de estar se tornando um conceito cada vez mais conhecido e acessível nas indústrias no Brasil, não há consenso na literatura científica internacional sobre como defini-la e principalmente, como efetivamente implantar e medir a cultura de segurança de uma empresa.

É importante frisar que existem várias definições para o que é ‘Cultura de Segurança’, por isso é importante que antes de iniciar um projeto interno ou junto de uma consultoria, a empresa interessada saiba qual a definição que será utilizada, para assim desenhar a estratégia em cima desse entendimento.

Na Comportamento Psicologia do Trabalho, entende-se a cultura de segurança como sendo as crenças e as atitudes da organização voltadas para a segurança. Tem um papel importante na organização e influencia o quão seguro é o comportamento das pessoas [1]. De maneira mais objetiva, a cultura de segurança influencia o ambiente no qual as pessoas trabalham e no qual as barreiras contra o acidente estão agindo. Essa definição é apresentada pelo Energy Institute, a partir das pesquisas desenvolvidas na construção do conjunto de ferramentas do Hearts & Minds®.

Outra definição da cultura de segurança muito utilizada nas pesquisas acadêmicas e também adotada na Comportamento Psicologia do Trabalho, é a definição dada pela Health and Safety Commission (HSC) do Advisory Committee on the Safety of Nuclear Installations (ACSNI). De acordo com a definição da HSC [2] a cultura de segurança de uma organização é o produto dos valores, atitudes, percepções, competências e padrão de comportamento de indivíduos e grupos que determinam o comprometimento, o estilo e a proficiência do gerenciamento da segurança do trabalho da organização.

A partir dessas definições, infere-se que toda organização terá, à sua maneira, formas de demonstrar o quanto os aspectos atrelados à segurança das pessoas estão mais ou menos fortes em suas rotinas. Ou seja, toda empresa terá a sua cultura de segurança. O que poderá variar é a intensidade com que a empresa vivencia, valoriza e prioriza a segurança do trabalho em suas práticas diárias. Para saber qual o grau ou maturidade da cultura de segurança em uma empresa é preciso realizar um diagnóstico organizacional para conhecê-la.

PARA QUE SERVE A CULTURA DE SEGURANÇA

São normalmente identificadas quatro funções da cultura de segurança que auxiliam no entendimento de porque devemos conhecê-la e desenvolvê-la [3]. Segue em tópicos:

  1.     Impactar os resultados de segurança da empresa: atuar sobre a qualidade das práticas de segurança poderá gerar efeitos reais nos resultados da empresa, assim, a cultura terá um efeito mais ou menos positivo conforme for o grau de incentivo para se preocupar com o tema.
  2.     Fornecer à empresa um mecanismo efetivo de coordenação entre os atores envolvidos: é a cultura de segurança que exerce o papel de ser a estrutura de autoridade quando ninguém está olhando. Assim, assegura uma regulação e um controle informal dos comportamentos individuais para mantê-los na norma admitida pelo grupo ou pela organização.
  3.     Afirmação da identidade profissional e reconhecimento social do colaborador: a cultura de segurança influencia nos saberes que são repassados de um colaborador para outro como sendo ‘os certos’, ‘seguros’ e ‘aceitáveis’. Aqueles comportamentos entendidos como ‘mais seguros’ ou ‘mais corajosos’, serão repassados e divulgados gerando reconhecimento naqueles colaboradores que os tem.
  4.     Promoção da saúde mental: desenvolver a cultura de segurança tende a reduzir o estresse nos indivíduos expostos aos perigos porque ele diminui a incerteza, permitindo-lhes antecipar os esquemas mentais e comportamentais que serão ‘normalmente’ utilizados pelos outros atores para dominar os riscos da situação.

COMO IDENTIFICAR A CULTURA DE SEGURANÇA

Mapear a cultura de segurança é o primeiro passo recomendado antes de iniciar grandes projetos de transformação cultural na empresa. É a partir desse mapeamento que a organização saberá qual o seu nível de maturidade, para então formular ações diante dos objetivos que quer alcançar.

O entendimento da cultura de segurança a partir de estágios de maturidade é bem útil para a organização e para a sociedade em geral. Significa que os indivíduos e a organização passam a saber os caminhos que já foram percorridos pela empresa, o estágio atual em que se encontra e se existem estágios mais maduros que se deseja chegar. Dessa forma, a cultura de segurança é entendida como um continuum e não como algo fixo e imutável. A empresa pode tanto caminhar rumo a um novo patamar, permanecer onde está ou mesmo retroceder.

Assim como a definição da cultura de segurança, também existem modelos diferentes para nomear os níveis de maturidade, assim como diferentes instrumentos para realizar o diagnóstico. Neste artigo, falarei apenas do modelo da Escada da Segurança (Hearts & Minds®).

Escada da Segurança (Hearts & Minds®) [4]

A Escada da Segurança foi desenvolvida por pesquisadores de universidades europeias, financiadas pelo Grupo Shell. A partir dessa parceria, uma série de pesquisas foram conduzidas, resultando no aperfeiçoamento de teorias e desenvolvimento de ferramentas práticas sobre o tema da cultura de segurança e segurança do trabalho. Essas ferramentas foram reunidas em um kit de atuação prática, chamado Hearts & Minds®. Como o Grupo Shell faz parte do Energy Institute[2], todo o trabalho desenvolvido foi disponibilizado para ser utilizado pelas empresas que faziam parte da instituição, e a partir de 2004, pôde ser comercializado para qualquer empresa interessada.

Nessa trajetória, em 2012 a Comportamento Psicologia do Trabalho entra em contato com o modelo e a partir do treinamento recebido pelo próprio Energy Institute, obtém a licença para utilizar os materiais em seus clientes. Um dos materiais desenvolvidos nas pesquisas, foi a Escada da Segurança (ver figura 01), um modelo de entendimento da cultura de segurança em cinco níveis de maturidade, que são:

Patológico: Segurança não é um elemento importante, as pessoas são guiadas pela conformidade às normas e/ou para não sofrerem punições.

Reativo: Ações em segurança são levadas a sério quando as coisas dão errado.

Calculador: Ênfase em sistemas e estatísticas. Contudo, a eficácia dos dados coletados nem sempre é verificada. Tendência a valorizar resultados quantitativos.

Proativo: Gestão analisa o que aconteceu no passado para impedir que algo dê errado no futuro. A força de trabalho envolve-se na prática e a função de segurança é compartilhada. A atuação de especialistas em segurança passa a ser de orientação em vez de execução.

Generativo: A organização define padrões elevados e busca superá-los. As falhas são entendidas para melhorar os processos e não para culpar pessoas. Há uma comunicação de mão dupla com a força de trabalho.

Fig.01 – Escada da Segurança (Hearts & Minds®)

Para identificar a maturidade da organização utilizando esse modelo, deve-se utilizar uma matriz contendo 23 itens a serem avaliados na empresa (figura 2) [5]. Essa matriz pode ser aplicada por consultores internos, coletando as percepções nos diferentes níveis hierárquicos, como também, pode ser utilizada por uma consultoria externa para atuar como a mediadora entre as autopercepções. Sendo aplicado por consultoria externa, deve-se utilizar várias estratégias para coletar as evidências para posterior preenchimento da matriz. Dentre as estratégias utilizadas pela Comportamento Psicologia do Trabalho estão: grupos focais, entrevistas, coleta e análise de documentos e observações de campo.

Fig. 02 – 23 itens da Matriz do Hearts & Minds®

Ao analisar a Escada da Segurança (figura 1), percebe-se que o amadurecimento da cultura é correlacionado com o aumento da consciência e com o aumento da confiança e responsabilidade. O modelo do Hearts & Minds®, pressupõe que à medida que os diferentes níveis hierárquicos se tornam mais conscientes de seus papéis e responsabilidades para a segurança, aumentando gradativamente o engajamento e a confiança entre as pessoas, acompanhada do desenvolvimento dos processos e da tecnologia, os índices de acidente tendem a diminuir. Nesse modelo o foco é no processo, e não no resultado.

 

INTERVENÇÕES NA CULTURA DE SEGURANÇA

Com o resultado do diagnóstico pronto e a maturidade identificada, é hora de partir para o plano de ação. O objetivo deve ser, pensar e desenvolver ações que impulsionem o amadurecimento da empresa para o nível subsequente da maturidade diagnosticada. É normal as empresas quererem se enxergar já no Generativo, por isso, é muito importante sinalizar a quantidade de energia, tempo e recurso que precisam ser empregados para se modificar a cultura organizacional de maneira geral.

A mudança da cultura de segurança é algo extremamente complexo e que só aparece quando os indivíduos envolvidos no processo realmente a percebem como necessária e a desejam. É um processo que pode ser lento pois os indivíduos precisam de tempo para compreender, adquirir e praticar novas habilidades, bem como para se adaptar às novas condições de trabalho impostas pela mudança. Com isso, não há um período exato, descrito na literatura acadêmica, sobre em quanto tempo é possível mudar o nível de maturidade de uma organização.

Apesar da complexidade, a Comportamento Psicologia do Trabalho entende que é possível evoluir a maturidade da cultura de segurança de uma organização. Cada plano de ação precisa ser pensado de maneira particular para cada empresa, entendendo o nível de maturidade atual e características da empresa que possam facilitar ou dificultar essa mudança.

Em uma revisão de literatura foram levantados cinco grupos de atuação que devem ser endereçadas para desenvolver a mudança da cultura de segurança [6]:

  1. a) Gerenciamento: está relacionado com as atitudes e comportamento das lideranças com a segurança;
  2. b) Sistema de segurança: engloba diferentes aspectos do sistema de gestão de segurança, tais como comitês de segurança, permissão para trabalho, políticas de segurança e equipamento de segurança; aa
  3. c) Risco: inclui percepção do risco no local de trabalho e atitudes frente ao risco e a segurança;
  4. d) Pressão no trabalho: relativo a ritmo e carga de trabalho;
  5. e) Competência: refere-se à qualificação, habilidades e conhecimento do empregado para o trabalho.

Em uma revisão não sistemática de literatura realizada em 2022, contata-se que existem muitas publicações sobre os instrumentos para se diagnosticar a cultura de segurança [7], ou mesmo estudos de caso com aplicação de instrumentos que avaliam a cultura de segurança [8], mas poucos que tragam dados sobre intervenções realizadas após o diagnóstico.

A baixa publicação de resultados de intervenções se dá pela complexidade em padronizar pré e pós intervenções em ambientes complexos e dinâmicos como as organizações, o que dificulta a comparação dos resultados. Outro fator é o baixo rigor acadêmico-metodológico aplicado nos diagnósticos e intervenções organizacionais, que acabam sendo rejeitados para publicação nas revistas com alto padrão de exigência [9]. Muito se tem feito para desenvolver a cultura de segurança das organizações, sejam através de consultorias, consultores autônomos ou por pesquisas acadêmicas, todos embasados em literatura científica, mas pouco se conhece sobre esses resultados e intervenções devido as dificuldades mencionadas.

A Comportamento Psicologia do Trabalho e os dados internacionais

A partir de revisão não sistemática de literatura [10], propõe-se apresentar dados de pesquisas internacionais, comparando-os com dados provenientes das propostas de atuação deferidas pelas empresas brasileira que procuraram a consultoria Comportamento Psicologia do Trabalho no ano de 2021. Para guiar as análises e comparações desse ensaio foram escolhidos como referenciais, mas não se limitando a eles, dois artigos, o de Hale et al. (2010) e o de Aburumman et al. (2019).

Esses artigos foram escolhidos por estarem publicados em revistas científicas com alto padrão de publicação, conferindo credibilidade aos resultados, por conterem uma maior variedade de empresas pesquisadas sendo analisadas, e por fim, os itens de análise apresentados estarem em estreita relação com a realidade vivida pela Comportamento Psicologia do Trabalho.

No artigo de Hale et al. (2010) e na recente revisão de literatura realizada por Aburumman et al. (2019), são apresentados os resultados de intervenções na cultura de segurança, descrevendo as ações realizadas, os níveis de atuação e uma análise sobre quais ações tiveram maior impacto. No primeiro artigo são descritos os resultados de projetos de desenvolvimento da cultura de segurança, que foram realizadas em 29 empresas holandesas com financiamento do governo local e no segundo são apresentados dados de revisão de literatura, demonstrando os resultados de 23 artigos avaliados.

            Em ambos os artigos estão descritas empresas de vários segmentos como: indústria agrícola, indústria de construção, alimentos e bebidas, armazenagem e distribuição, fabricação de veículos, coleta e tratamento de lixo, hospital-escola e indústria siderúrgica. No Brasil, a Comportamento Psicologia do Trabalho atende igualmente essa gama de setores, sinalizando que a atuação da empresa não se restringe a apenas um segmento como pode ser visto na figura abaixo (figura 03), assim, pode também demonstrar o interesse do mercado brasileiro em desenvolver ações que impactem positivamente em sua cultura de segurança.

Fig. 03. Distribuição do número de empresas com propostas deferidas em 2021 e o segmento de atuação (categorização da autora)

No artigo de Hale et al. (2010) são analisadas apenas empresas holandesas, mas, na revisão de literatura de Aburumman et al. 2019, estudos de diversos países são analisados, entre eles: Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Suécia, Polônia, Reino Unido, Israel, Austrália, China e Irã. Observa-se a permanência de países historicamente envolvidos com o desenvolvimento de pesquisas e especialmente na área de segurança, como os Estados Unidos e o Reino Unido, além de países do polo Europeu, sendo novidades os estudos realizados na China e no Irã. O levantamento apresentado (23 artigos) confirma as dificuldades mencionados anteriormente para a publicação, especialmente no Brasil, pela ausência de representantes na amostra.

            Com relação as amostras participantes nas intervenções, estas variam entre 50 e 6.867 pessoas, sendo 5 estudos com amostras menores do que 100 pessoas, segundo a revisão de literatura. Nas empresas holandesas, é reportado um total aproximado de 17.500 funcionários, não sendo detalhado por empresa. Tendo como parâmetro o ano de 2021, as 18 empresas em que a Comportamento Psicologia do Trabalho realizou o diagnóstico de cultura de segurança, são consideradas empresas de Grande Porte pelo IBGE, ou seja, possuem mais de 500 funcionários.

Tendo como parâmetro o porte das empresas atendidas pela Comportamento Psicologia do Trabalho, pode-se entender que, em termos financeiros, estas empresas tem destinado mais recursos para intervenções e desenvolvimento da cultura de segurança, através da contratação de consultorias externas. Ou ainda, que empresas de menor porte não tenham despertado para esse investimento ou que façam investimentos pontuais e de menor custo.

            Quanto aos instrumentos para avaliar a cultura de segurança, como dito na seção ‘Como identificar a Cultura de Segurança’ existem vários instrumentos e não houve um consenso nos artigos pesquisados. Acessando os artigos (ver seção de bibliografia) você poderá ver a lista de instrumentos utilizados. Nos dois levantamentos aqui discutidos, não foi utilizado o método do Hearts & Minds®, mas é possível encontrar pesquisas utilizando esse método, por exemplo, nesse case da PETRONAS (Azmee e Ariffin, 2018) [11].

            Existe uma pergunta que é frequentemente direcionada à Comportamento Psicologia do Trabalho pelos seus clientes que pode ser sintetizada da seguinte forma: “Em quanto tempo é possível observar a mudança de cultura de uma organização?” ou dito de outra maneira “Quanto tempo após o início da intervenção já é possível fazer um novo diagnóstico para verificar se houve avanço de cultura?”. A resposta para essa pergunta não está nos livros e nem nos artigos pesquisados. Na verdade, o que os artigos apontam é que não há um padrão definido de tempo entre pré e pós intervenção.

No artigo de Hale et al. (2010), com as empresas holandesas, foi estabelecido um período para a coleta de dados. Esses foram recolhidos, sempre que possível, ao longo de um período de 7 anos, de 3 anos antes do início das intervenções até ao início do quarto ano após o lançamento inicial do financiamento do governo. Já na revisão de literatura de Aburumman et al. (2019) foram registradas a duração entre pré e pós-teste das pesquisas com uma alta variação, de 1 mês a 42 meses (4 anos), sendo que oito estudos relataram períodos de acompanhamento de seis meses ou menos. Olhando para uma pesquisa nacional, Coser (2019) apresentou em seu mestrado o case de uma empresa produtora de painéis de madeira em que anualmente foram realizados diagnósticos de cultura de segurança, demonstrando uma evolução de maturidade Reativa para Independente (Curva de Bradley) em um período de seis anos.

A partir desses resultados é possível inferir que o período de tempo entre o diagnóstico e o reteste pós-intervenção deve ser combinado com a organização, ou seja, a parte interessada no resultado precisa estar ciente do período que terá para desenvolver seu plano de ação antes de um novo diagnóstico. Para além do período de tempo, é importante enfatizar que a organização precisa ter um plano de ação para colocar em curso para se ter o que medir ao final do período estabelecido. E por fim, o que define o sucesso de uma intervenção em cultura de segurança está além do tempo estimado, e tem a ver com energia, criatividade e apoio dedicado durante a execução do plano de ação [10].

No entanto, não é possível desconsiderar que existe um risco em reavaliar a cultura de segurança em um curto intervalo de tempo, em menos de 12 meses, por exemplo. O risco é de se capturar apenas uma mudança transitória de curto prazo na cultura de segurança, ou a positividade do clima de segurança, que pode ou não ter sustentação a longo prazo. É com esse pensamento, que a Comportamento Psicologia do Trabalho recomenda aos seus clientes que estão com projetos de transformação cultural em andamento, que façam o follow up do plano de ação anualmente, em um processo chamado internamente de Calibração do Plano de Transformação Cultural. Recomenda-se que ao final do terceiro ano (após 36 meses) seja realizado o diagnóstico de cultura (pós teste). Dessa maneira, busca-se diminuir os vieses do tempo e aumentam as chances de se capturar a consolidação dos valores e atitudes voltadas para a segurança e o desenvolvimento das novas competências, padrões de comportamento e gerenciamento de segurança adotados pela empresa, marcadores importantes para avaliar se houve aumento de maturidade da cultura de segurança.

Os dois últimos pontos a serem analisados nesse ensaio são: os níveis e os tipos de intervenção na cultura de segurança das empresas apontados na literatura. Ambos os artigos adotados como referência principal nesse ensaio utilizam o modelo de Hale et al. (2003; 2010) para classificar as intervenções em cultura de segurança, ver figura abaixo (figura 04).

Fig. 04. Modelo de gerenciamento de segurança para classificação de intervenções de cultura de segurança (Aburumman, et al., 2019, adaptado de Hale et al., 2010). Traduzido pela autora.

Quanto aos níveis de intervenção, o artigo classifica em três níveis: Societal, Organizacional e Grupal & Individual. Segundo Hale et al. (2010):

“A tarefa de controle de risco e gerenciamento da segurança é muitas vezes vista em termos de uma hierarquia de níveis de sistema, com os processos operacionais (trabalho) no nível mais baixo, onde os acidentes acontecem, sendo controlados por uma combinação de tecnologia e comportamento humano (individual ou em grupo), que por sua vez é controlado pelo fornecimento de recursos, informações e instruções da gerência. Estes, por sua vez, são influenciados pela política, regulamentação, mercado e outras forças da sociedade.[3] (p. 1027)

Na revisão de literatura (Aburumman et al., 2019), os 23 estudos desenvolveram as intervenções nos seguintes níveis de atuação, em ordem decrescente: nível grupal (n = 11), nível organizacional (n = 8) e nível individual (n = 4). Nas empresas holandesas, estão somadas as ações em nível individual e em grupo com 160 intervenções, em seguida o nível organizacional com 44 e por fim o nível societal com 19.

Continuando a análise, ao fazer o levantamento dos dados das 92 propostas deferidas pelos clientes em 2021, totalizando 145 ações de intervenção junto com a Comportamento, vê-se que as ações caminham na seguinte direção: aproximadamente 107 ações no nível individual e grupal, 39 ações no nível organizacional e nenhuma ação em nível societal.

A partir desses dados, entende-se que as organizações, tanto dos artigos revisados quanto dos clientes da Comportamento Psicologia do Trabalho no Brasil, vêm percebendo a importância de se fazer ações de segurança que não envolvam apenas o olhar para o indivíduo, mas ações que busquem desenvolver os grupos de trabalho, os níveis de liderança e seus processos e sistemas de gestão. Tendo como foco a cultura de segurança, são as ações voltadas para o coletivo que a literatura tem apontado como tendo maior efetividade e impacto.

Por fim, é importante falar sobre os tipos de intervenção na cultura de segurança. Como o maior número de intervenções nas referências citadas está no nível individual e grupal, a categoria que concentrou o maior número de ações segundo a classificação de Hale et al. (2003; 2010) foi Recursos e Controles (R&C). A partir dessa categoria vê-se os seguintes resultados:  A revisão de literatura (Aburumman et al., 2019) aponta resultados que indicam que a subcategoria que teve a maior quantidade de ações foi Motivação (M), mas a ação mais implantada foi Treinamento, que está na subcategoria Competência – (C). Nas empresas holandesas (Hale et al., 2010) e na realidade da Comportamento Psicologia do Trabalho, a subcategoria que teve a maior quantidade de ações foi Competência (C) (n=54) e a ação mais implantada foi Treinamento (n=49) (ver figura 05 para categorização por nível e por tipo de ação segundo dados da Comportamento Psicologia do Trabalho).

Fig. 05. Categorização dos níveis e tipos de intervenção das propostas deferidas junto à Comportamento Psicologia do Trabalho em 2021 (categorização da autora).

 

Esse modelo de categorização em níveis e por tipo de intervenção acaba por limitar à rotulagem precisa das intervenções, já que uma ação pode ter mais de um propósito ou intervir em mais de um nível. Mas apesar dessa dificuldade, a categorização é útil para a decomposição das intervenções a fim de permitir análises mais aprofundadas, por exemplo, na categorização da Comportamento Psicologia do Trabalho, das 92 propostas deferidas, 20 solicitavam diagnóstico, cerca de 22% do total. Isso pode indicar o interesse das empresas de buscar ações de desenvolvimento mais precisas e sistêmicas, uma vez que o diagnóstico de cultura e clima de segurança apresenta informações sobre os valores, atitudes e práticas predominantes na organização. Em contrapartida, houveram 7 deferimentos para implantação da ferramenta de observação e abordagem comportamental, que embora muito eficiente na gestão de comportamentos, tende a ter um olhar individual da segurança.

Outra análise que pode ser feita a partir da categorização, é o baixo número de treinamentos ofertados para a equipe de segurança nas empresas holandesas (n=4) e na revisão de literatura (Comitê de segurança, n = 3). Das propostas deferidas junto à Comportamento Psicologia do Trabalho em 2021, 20 estão diretamente relacionadas com a formação da equipe de segurança. Ainda é um número pequeno, representando cerca de 22% do total de propostas deferidas, mas significativamente maior do que o exposto nos artigos. A importância do apoio da alta gerência para o sucesso e transformação da segurança é quase universalmente demonstrado na literatura, mas a importância da energia, do envolvimento da equipe de segurança, e especialmente do líder da área de segurança, tem sido menos enfatizado, mas descrito como um dos fatores chaves para a evolução cultural nas empresas holandesas pesquisadas (Hale, et. al, 2010).

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CONCLUSÃO

Esse ensaio teve como objetivo trazer informações a respeito dos conceitos e modelos de atuação da cultura de segurança utilizada pela empresa Comportamento Psicologia do Trabalho, afim de auxiliar consultores e clientes quanto às práticas internas de atuação. Além disso, foram utilizados dois artigos de referência internacional para conhecer e balizar, a título de comparação, as ações que estão sendo estudadas e implantadas nas empresas internacionais, com o portfólio de propostas de intervenção deferidas junto à Comportamento Psicologia do Trabalho no ano de 2021.

Destaca-se primeiramente, as dificuldades apontadas pelos autores dos artigos em se fazer pesquisa no ambiente industrial/organizacional. A dinamicidade e complexidade das empresas, geram empecilhos para, por exemplo, trabalhar com a randomização da amostra em coleta de diagnóstico de cultura de segurança. Essa é uma realidade vivida cotidianamente pela consultoria, que diariamente precisa buscar na literatura e em sua expertise, maneiras de superar esses desafios.

Uma dessas soluções apontadas na literatura e aplicadas na Comportamento Psicologia do Trabalho, é a importância de realizar intervenções multimétodo[4] ou através de triangulação metodológica, fazendo uso de instrumentos quantitativos e qualitativos. Para citar alguns exemplos, utilizar questionários para mapear a percepção e o impacto das intervenções, o desenvolvimento de grupos de trabalho, aplicação de mentorias individuais e a implantação de ferramentas (medindo a quantidade e a qualidade), buscam abarcar a complexidade da realidade e das mudanças que surgem ao longo do tempo de intervenção.

Com relação aos dados comparativos apresentados na revisão de literatura e nas empresas holandesas com respeito a diversidade de segmentos, foi observada a estreita relação entre a atuação da Comportamento Psicologia do Trabalho e as empresas pesquisadas. A diversidade de segmentos de mercado que estão buscando desenvolver ambientes mais seguros está presente dentro e fora do Brasil.

Com relação a amostra das empresas estudadas, vê-se que é um dado variável e que não auxilia a tirar conclusões sobre o porte das empresas atendidas. Na Comportamento Psicologia do Trabalho, a partir de análise de dados interna, sabe-se que as empresas de grande porte estão em maior número na carteira de clientes e são as que mais desenvolvem ações continuadas em segurança e cultura. Isso pode se dar por vários motivos, entre eles, maior fiscalização governamental, da sociedade e dos acionistas. Para além da realidade da Comportamento Psicologia do Trabalho, nota-se o aumento das demandas por ações voltadas para a segurança e consequentemente o aumento do número de consultorias e consultores autônomos, aptos a atender essa demanda.

Sobre os instrumentos utilizados para diagnosticar a cultura de segurança, não foi observada a utilização do método Hearts & Minds®.  Essa ausência pode ser explicada, entre outros, porque muitos países optam por desenvolver seus próprios modelos, a partir de parâmetros nacionais, tornando a classificação padrão e facilitando a análise dos dados, por exemplo, o questionário da Dinamarca. Além disso, optam-se por utilizar questionários de órgãos internacionais competentes, como o Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional, nos Estados Unidos. O Hearts & Minds® é um método relativamente novo, uma vez que foi liberada sua comercialização somente em 2004, para empresas fora do ambiente do setor energético. Com a utilização desse instrumento pela Comportamento Psicologia do Trabalho, acredita-se que seja um dos métodos mais aplicados no Brasil hoje.

No que diz respeito ao tempo de intervenção para a evolução da cultura de segurança, foram apresentados períodos diferentes entre as empresas da revisão de literatura e as empresas holandesas. Por ser um construto que envolve crenças, valores, padrão de comportamento e, portanto, hábitos individuais e coletivos, a mudança da cultura de segurança requer tempo, para que os novos comportamentos desejados sejam acomodados, aprendidos e postos em prática no dia a dia. É por essa razão que a Comportamento Psicologia do Trabalho recomenda o check das ações do Plano de Transformação anualmente (calibração) e novo diagnóstico de cultura após três anos de intervenção. Assim, se coloca mais estreitamente a favor do desenho de intervenção apresentado no artigo de Hale et. al (2010) nas empresas holandesas, com 4 anos de intervalo após o início das intervenções.

Olhando para o nível das ações de segurança, não foram observadas discrepâncias entre as pesquisas e os dados da Comportamento Psicologia do Trabalho.  O foco está no nível individual e grupal, com o nível organizacional tendo volume expressivo. O fato de a Comportamento Psicologia do Trabalho não ter em seu rol de atuação ações em nível societal, é um importante sinalizador de que ações dessa natureza precisam ser propostas para as empresas/clientes, pelo seu impacto na segurança. Além disso, abre espaço para um outro nível de atuação, como por exemplo, aconselhamento no desenvolvimento de normas ou diretrizes à órgãos governamentais.

Os dados sobre os tipos de intervenção na cultura de segurança, demonstram similaridade entre o que é apresentado nos artigos e a realidade praticada pela Comportamento Psicologia do Trabalho. Esses dados revelam principalmente que a Comportamento Psicologia do Trabalho é uma consultoria que se mantém atualizada quanto às práticas de intervenção discutidas e implantadas em outros países. Como demonstrado na figura 5, as possibilidades de intervenção estão diversificadas, atendendo a praticamente todas as categorias e subcategorias dos níveis organizacionais, individual e grupal. A exceção está em Projeto e manutenção de tecnologia (P&M), mas justificado por não ser o ramo de atuação da consultoria, e a subcategoria Comunicação (Comu), que não foram identificadas ações diretas, mas que devem ser impactadas pelas demais ações propostas.

Conclui-se também que o maior foco das empresas está em desenvolver constantemente as pessoas que criam e moldam a cultura de segurança dia após dia, direcionando maiores esforços para as ações de treinamento. No entanto, não se deve esquecer da importância de desenvolver e atualizar os equipamentos e a tecnologia utilizada, para não deixar a responsabilidade de evoluir a cultura de segurança somente no conhecimento e na atitude do indivíduo.

Finalizando, o número reduzido de artigos e a utilização do banco de dados de uma única consultoria, a Comportamento Psicologia do Trabalho, traz limitações para esse ensaio e pedem cautela para as generalizações das informações para a realidade brasileira. Contudo, com a escassez de dados nacionais que sejam amplamente divulgados, entende-se que este ensaio possa trazer boas reflexões e insights sobre o interesse do mercado brasileiro no desenvolvimento da cultura de segurança. Além disso, mostra que existem novas possibilidades de atuação entre a Comportamento Psicologia do Trabalho e outras consultorias do mercado para desenvolver e ampliar o banco de dados com informações sobre as intervenções feitas nas empresas brasileiras, criando uma ampla base que possa subsidiar tanto a atuação privada quanto as diretrizes e políticas públicas. Outra possibilidade, é a parceria com universidades e centros de pesquisa, em que estudantes de pós-graduação, possam se conveniar às consultorias para desenvolver estudos de campo e longitudinais.

Os dados aqui apresentados são apenas uma amostra e uma tentativa de apresentar a complexa realidade brasileira e suas possibilidades de atuação, destacando-se o compromisso da consultoria Comportamento Psicologia do Trabalho em compartilhar o seu valor de respaldo científico, contribuindo para o diálogo entre seus clientes e a sociedade.

[1] Propostas deferidas são aquelas que são aprovadas após passar pelo crivo técnico e financeiro do cliente e estão aptas a serem realizadas.

[2] Organização sem fins lucrativos formada por pessoas da Indústria da Energia que buscam proporcionar profissionalismo e troca de boas práticas com toda a profundidade e amplitude do setor.

[3] Traduzido pela autora.

[4] É a utilização de métodos diferentes de coleta de dados para avaliar o mesmo fenômeno.

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LOS APORTES DEL DIAGNÓSTICO DE CULTURA DE SEGURIDAD EN UNA MUESTRA BRASILEÑA DEL SECTOR DE ENERGÍA https://comportamento.com.br/los-aportes-del-diagnostico-de-cultura-de-seguridad-en-una-muestra-brasilena-del-sector-de-energia/ Tue, 30 May 2023 12:20:09 +0000 https://comportamento.com.br/ilhas-do-conhecimento-organizacional-aprimorando-a-coletividade-para-a-saude-mental-no-trabalho-copy/ O post LOS APORTES DEL DIAGNÓSTICO DE CULTURA DE SEGURIDAD EN UNA MUESTRA BRASILEÑA DEL SECTOR DE ENERGÍA apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Los Aportes Del Diagnóstico De Cultura De Seguridad En Una Muestra Brasileña Del Sector De Energía

Autores: Julio Turbay, Fabio Natsumeda, Nathalin Almeida

 

Abstract

La seguridad en el trabajo siempre tuvo un papel central en los procesos industriales modernos, hoy día con la cantidad de distintas variables y el desafío frecuente de mantener las operaciones siendo realizadas de manera segura y efectiva el tema ocupa la agenda de muchos líderes en las empresas. En el escenario de la industria energética este desafío si pone aún mayor. Altos niveles de riesgo, hecho que caracteriza este rubro es algo desafiador. En este trabajo los autores pretenden discutir los principales aportes del modelo de cultura de Seguridad desarrollado por el Energy Institute de Inglaterra enfocando los principales desafíos identificados en las investigaciones de cultura de seguridad en 24 plantas de generación de energía distribuidas en distintas localidades brasileñas. Con un total de 2.122 profesionales involucrados en procesos cuantitativos y cualitativos este estudio pretende apuntar los principales rasgos culturales del seguimiento en Brasil y evidenciar las fortalezas y debilidades comunes, cuando tratamos de los desafíos de creación de culturas de seguridad de clase mundial. Basado en las 23 dimensiones del modelo Hearts and Minds se pretende con esta ponencia generar una importante reflexión acerca de cómo debemos actuar en la cultura de seguridad para generar de manera efectiva ambientes de trabajo seguros y confiables.

Palabras clave: Cultura de seguridad, Sector energético, gestión.

  • Introducción 

Accidentes industriales como los de Chernobyl, Piper Alpha, Chalenger y Bhopal siempre tuvieran en sus análisis el elemento de una cultura de seguridad poco desarrollada o con evidentes debilidades (Cox and Cheyne, 2000). Tales conclusiones pusieron el tema en una agenda de investigaciones para mejor entender por un lado ¿Qué es una cultura de seguridad? Y por otro desafiar ¿De que manera es posible intervenir sobre este fenómeno de manera más efectiva? 

Algo que se puede concluir de los temas de cultura es que no estamos delante de un fenómeno que existe o no existe en la organización, pero que tipo de cultura existe en la organización. Anastacio Pinto Goncalves Filho, Patrick Waterson (2018) proponen en una revisión exhaustiva del tema que hay distintos modelos que se proponen a entender la culutra de seguridad desde distintas perspectivas. 

Este proceso de investigación se basa en el modelo propuesto por Hudson, P.T.W., Parker, D., & v d Graaf, G.C. (2002) que proponen distintos niveles de madurez de seguridad que están dispuestos en 5 layers tal como una escalada de madurez de la siguiente forma:

  

 

La referencia utilizada es la propuesta por el Energy Institue denominado como versión 6 (HSE 201). Para más detalles el lector tiene que buscar la página web: https://heartsandminds.energyinst.org/toolkit/UYC. Este modelo se basa en 23 dimensiones dispuestas de la siguiente manera:

 

23 dimensiones del modelo Hearts and Minds
A) ¿Como se comunica SSMA? M) ¿Cómo se utilizan los procedimientos operacionales?
B) ¿Cómo demuestran los líderes atención y cuidado?  N) ¿Cómo se actualizan los procedimientos?
C) ¿Cómo es reconocido y recompensado el comportamiento seguro?  O) ¿Cómo se realiza el mantenimiento?
D) ¿Qué se entiende como  causas de los incidentes?  P) ¿Cómo se considera SSMA en la elección de contratistas/terceros?
E) ¿Cuáles son las consecuencias de los desvíos comportamentales?  Q) ¿Cómo los contratistas están integrados dentro de la empresa?
F) ¿Cómo las personas intervienen en situaciones inseguras?  R) ¿Las personas están dispuestas a parar las operaciones?
G) ¿Qué prioridad se le da a la seguridad operacional?  S) ¿Cómo se informan los incidentes, casi incidentes y acciones inseguras?
H) ¿Cuál es el rol del departamento de SSMA?  T) ¿Cómo se investigan los incidentes? 
I) ¿Cómo podemos certificar que las personas son competentes en SSMA?  U) ¿Cómo aprendemos con los incidentes y los casi incidentes? 
J) ¿Cómo se discute SSMA en las reuniones?  V) ¿Cuál es el propósito de las auditorías?
K) ¿Cómo se hace el análisis de riesgo en la planificación del trabajo?  W) ¿Cuál es el enfoque del Benchmarking?
L) ¿Cómo son consideradas las barreras para la prevención de incidentes? 

 

Como características complementarias de este proceso de entendimiento de la cultura hay que tenerse en cuenta las siguientes características

 

CARACTERÍSTICAS DEL MODELO MATRIZ HEARTS & MINDS
ALCANCE Evalúa las etapas de madurez a través de los comportamientos individuales y organizacionales
EVALUACIÓN Evaluación realizada a través de 23 criterios / dimensiones, con énfasis en los aspectos culturales del sistema de gestión
FOCO En la Triada – Tecnología, Sistemas y Aspectos humanos – cómo se relacionan generando la Confiabilidad Operacional
ÉNFASIS Evalúa las causas / Activadores Comportamentales de los comportamientos de riesgo y seguros de los empleados en la organización
RESPALDO CIENTÍFICO Método desarrollado por Energy Institute en Inglaterra con validación en las Universidades de Manchester y Aberdeen

  • Metodología 

Para la definición del puntaje se utilizo un modelo de Grupos focales con entrevistas semi estructuradas teniendo como basis las 23 dimensiones presentadas anteriormente. Además de los grupos realizados los consultores están entrenados para realizar observaciones participativas con el objetivo de mirar la aplicación practica de las dimensiones en la rutina de las plantas enfocadas. 

Los grupos fueran distribuidos siempre respectando la homogeneidad jerárquica, o sea, no se mezclarán niveles jerárquicos en la realización de las sesiones de discusión. Buscase con esto asegurarse de un alto nivel de seguridad psicológica por parte de los asistentes para los comentarios y aportes para cada una de las dimensiones referidas.

  • Resultados y discusión de resultados

La muestra seleccionada es compuesta por los resultados de 24 diagnósticos de cultura de seguridad realizados en diferentes unidades de 4 empresas del sector de Energía, entre Junio de 2021 y Septiembre de 2022. El número total de participantes en los diagnósticos de cultura de seguridad realizados fue de 2122 personas. |Todas las empresas presentes y con operaciones en Brasil.

La Figura 1 presenta un análisis de las puntuaciones de opinión de la consultoría para los diagnósticos realizados em las unidades de las empresas participantes de esta muestra, basadas em las pautas del protocolo Hearts & Minds. La puntuación más alta fue de 3,37 y la más baja de 1,35, com un promedio global de 2,80. 

 

Figura 1

Análisis da las puntuaciones de opinión de la consultoría para los diagnósticos participantes de esta muestra, segundo las pautas del protocolo Hearts & Minds.

La Figura 2 presenta la distribución de los 24 resultados de los diagnósticos de cultura de seguridad de la muestra del sector de Energía em la escalera com los niveles de madurez del protocolo Hearts & Minds. En cada nível de madurez, tenemos como resultado: patológico 4,17% (1), reactivo 25% (6), calculador 70,83% (17), proactivo 0% y generativo 0%. El rubro energético tiene características muy proprias de la importancias del seguimiento de las reglas y utilización clara y constante de procedimientos, conducta muy basada en el modelo de comando y control que son típicos de una cultura calculadora, donde si percibe una fuerte relación de seguridad basdada en la aplicación del compliance.  

 

Figura 2

Distribución de los 24 resultados de los diagnósticos de cultura de seguridad de la muestra del sector de Energía em los niveles de madurez del protocolo Hearts & Minds.

 

 

Clasificación de las dimensiones con la media de la muestra seleccionada más baja y más alta y los niveles de madurez del protocolo Hearts & Minds.

Promedio más bajo
Dimensión Promedio Clasificación Aspectos relacionados a la dimensión 
C 2,29 Calculador ¿Cómo es reconocido y recompensado el comportamiento seguro?
P 2,33 Calculador ¿Cómo se considera SSMA en la elección de contratistas/terceros?
I 2,42 Calculador ¿Cómo podemos certificar que las personas son competentes en SSMA?
Promedio más alto
Dimensión Promedio Clasificación
O 3,27 Calculador ¿Cómo se realiza el mantenimiento?
V 3,17 Calculador ¿Cuál es el propósito de las auditorías?
Q 3,15 Calculador ¿Cómo los contratistas están integrados dentro de la empresa?

 

De acuerdo a los resultados de las tres dimensiones con menores promedios las industrias investigadas del sector energético tienen que buscar una mejor actuación para el incremento de la cultura de seguridad las estrategias de reconocimiento a los comportamientos seguros bien como las estrategias de seguridad que se exige de las empresas contratistas y por fin los aspectos relacionados a la formación de competencias relacionadas a la seguridad de los trabajadores.

Por otro lado, hay que destacar que los aspectos con mejores promedios entre las empresas son la realización del mantenimiento, el propósito de las auditorías y las estrategias de integración de los contratistas con los empleados proprios. Aun que todas las dimensiones están, en promedio, en el nivel de madurez Calculador los aspectos culturales nos exigen tener una mirada mas enfocada al detalle, que es, lo que permite que las organizaciones busquen maneras mas sostenibles de realizar los cambios culturales.

  • Conclusiones

Las principales aportaciones que este modelo nos permite generar tienen que ver directamente con los siguientes hallazgos:

 

  1. Permite una evaluación mas objetiva de los aspectos culturales lo que permite a las empresas establecieren de manera más efectivas planes de acción que permitan el diseño de una jornada de transformación mucho mas mensurable y con direcciones más claras
  2. Las organizaciones del sector de energía de esta muestra brasileña necesitan trabajar de manera mas efectiva las dimensiones que están conectadas con las competencias blandas, lo que significa que las evoluciones de un punto de vista de condiciones y sistemas de gestión van muy en línea con las expectativas de las empresa, pero los temas de gestión de aspectos humanos necesitan una mirada mas atenta y efectivamente basada en aspectos mensurables.
  3. Por tratarse de un área de alto riesgo los rasgos culturales calculadores son los más fuertes lo que nos lleva a entender que hay una fuerte inversión de la empresa en metodologías de control y procedimentales. Esto es positivo, pero conlleva a una necesidad de inversión en más métodos de seguimiento, que para los modelos actuales de negocio pueden ser algo muy difícil de ser realizado. En este aspecto también se suma el hecho de que las organizaciones invierten en modelos basados en reglas y normas, pero hay que estas informaciones no sean el fin de la seguridad, pero sí el proceso. 

Otra conclusión a que se llega en este proceso de investigación es asegurar que las organizaciones sigan si comprometiendo con medidas de cultura para direccionar acciones futuras y aseguren la seguridad de las personas y de todos los stakeholders relacionados a esta importante industria de la energía en Brasil. 

  • Bibliografía 

 

Anastacio Pinto Goncalves Filho, Patrick Waterson (2018), Maturity models and safety culture: A critical review,Safety Science, Volume 105, Pages 192-211,

Hudson, P. (2007) Implementing a safety culture in a major multi-national. Safety Sci., 45, 697–722

S.J Cox, A.J.T Cheyne, (2000) Assessing safety culture in offshore environments, Safety Science, Volume 34, Issues 1–3, Pages 111-129,

Hudson, P.T.W., Parker, D., & v d Graaf, G.C. (2002) The Hearts and Minds Program: Understanding HSE culture. In Proceedings 6th SPE International Conference on Health Safety and Environment in Oil and Gas Exploration and Production. Richardson TX: Society of Petroleum Engineers

https://heartsandminds.energyinst.org/toolkit/UYC

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ILHAS DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL: APRIMORAMENTO A COLETIVIDADE PARA A SAÚDE MENTAL NO TRABALHO https://comportamento.com.br/ilhas-do-conhecimento-organizacional-aprimorando-a-coletividade-para-a-saude-mental-no-trabalho/ Thu, 04 Aug 2022 18:01:57 +0000 https://comportamento.com.br/relato-de-experiencia-analise-da-maturidade-da-cultura-de-seguranca-de-empresas-de-grande-porte-utilizando-o-metodo-hearts-minds-copy/ O post ILHAS DO CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL: APRIMORAMENTO A COLETIVIDADE PARA A SAÚDE MENTAL NO TRABALHO apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Ilhas do Conhecimento Organizacional: Aprimorando a Coletividade para a Saúde Mental no Trabalho

 

Projeto de intervenção: Curso de Pós Graduação em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano

 

Autor: Altair Q. Turbay Jr

 

APRESENTAÇÃO DO TEMA

 

A globalização contemporânea, as mudanças climáticas e as crises econômicas transformam o mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA) em, segundo Jamais Cascio (2021) em frágil, ansioso, não-linear e incompreensível (BANI): “criei o BANI em parte como uma forma de esboçar um enquadramento para um mundo que foi além de ser apenas complexo e tornou-se totalmente caótico. (…) Eu o uso para me referir a sistemas que exibem todas as evidências de força e solidez, mas se desfazem com um certo nível de pressão”. Este enquadramento proposto pelo conceito BANI está inserido em uma sociedade que segundo Byung-Chul Han tem duas características: a primeira está relacionada ao poder que o desempenho de busca constante por excelência sobre os indivíduos e a segunda, relacionada à busca de negar as dores e maximizar a positividade da vida. Byung-Chul define, desta forma, a sociedade do desempenho e a sociedade paliativa como características do século XXI. Refletindo sobre estas três influências (BANI, poder do desempenho e sociedade paliativa) podemos entender que a saúde mental no trabalho necessita tornar prioridade, inclusive em resposta à inclusão da síndrome do burnout na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) em problemas associados ao emprego ou desemprego. Além disso, novos empregos e novas visões de performance de alto desempenho são estimuladas, principalmente para cargos de liderança, com o objetivo de acompanhar o avanço tecnológico e as mudanças rápidas de cenários.

 

Desta forma, construções coletivas e humanas que envolvem o compartilhar de emoções e de conhecimentos necessários para o enfrentamento dos desafios organizacionais são fundamentais para minimizar os impactos das questões globais e tecnólogicas atuais. Assim, utilizando do conceito de Ilha do Conhecimento do professor, físico e astrônomo Marcelo Gleiser (2014), como base para o desenvolvimento de espaços de compartilhamentos que promovam a integração do ser para a resolução de problemas diários, resgatando a essência (coletiva) tribal humana associada com ambientes que promovam a segurança psicológica necessária para dar sentido pleno ao trabalho e ao protagonismo de cada um em espaços coletivos e plenos. A segurança psicológica é “experimentada como a sensação de se posicionar sem medo das consequências negativas para a autoimagem, status ou carreira” (Khan, 1990). Amy Edmondson (2020), professora da Harvard Business School, diz que a segurança psicológica “é uma crença compartilhada pelos membros de uma equipe de que a equipe é segura para a tomada de riscos interpessoais”. Ou seja, atuar nos problemas dos humanos sendo nada mais que humanos. 

 

SITUAÇÃO-PROBLEMA

 

Em janeiro de 2022, entrou em vigor a décima primeira revisão do International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (CID-11) que inclui sob o código QD85 no capítulo dos problemas associados ao emprego ou desemprego a síndrome de Burnout. Segundo pesquisa realizada pela International Stress Managemente Association no Brasil (ISMA-BR) “dentre mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros, 32% sofrem com síndrome de Burnout” (SHIOZAWA, 2020). Segundo Shiozawa (2020), “os sinais e sintomas clássicos da burnout têm como fundamento a seguinte tríade: exaustões física e mental, despersonalização (ou ceticismo) e baixa realização pessoal. A tríade proposta é o resultado de riscos e ameaças inseridas no contexto de ser na sociedade contemporânea que impactam na integridade biopsicossocial do indivíduo. Riscos e ameaças desenvolvidos tanto no ambiente organizacional como da vida privada. Além disso, considerando que em uma sociedade onde falar das emoções negativas e de dores é considerado um sinal de fraqueza que impacta na imagem positiva do desempenho (precisamos ser os melhores pais, filhos, trabalhadores e cidadãos), o indivíduo demonstra que a individualidade é construída como benéfica e protetiva em relação aos problemas coletivos e individuais. Esta sociedade descrita é denominada de paliativa pelo filósofo Byung-Chul Han (2021), sendo que a “sociedade paliativa coincide com a sociedade do desempenho. A dor é vista como um sinal de fraqueza”. Desta forma, o humano trabalhador é vítima, mas também inquisidor na construção da plena saúde mental nas organizações do trabalho. Porém, quando unidos para a compreensão e socialização das suas emoções, vulnerabilidades, competências e criatividade como grupo/coletivo, há a oportunidade do acolhimento e de ações agregadoras. Para desenvolver soluções na qual o “indivíduo percebe suas próprias habilidades, lidar com estresses cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua comunidade” (GAINO ET AL, 2018), ou seja tenha saúde mental em conformidade com o conceito proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ter voz e desenvolver virtudes coletivas é o remédio proposto a partir de ilhas organizacionais que produzirão sabedoria que, segundo Van Renssealer Potter (2016), é a “disciplina para ação” e “pode ser definida como o conhecimento de como usar o conhecimento para o bem social”.   

 

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1. A segurança psicológica é “experimentada como a sensação de se posicionar sem medo das consequências negativas para a autoimagem, status ou carreira” (Khan, 1990). Amy Edmondson (2020), professora da Harvard Business School, diz que a segurança psicológica “é uma crença compartilhada pelos membros de uma equipe de que a equipe é segura para a tomada de riscos interpessoais”.

 

JUSTIFICATIVA

 

A principal motivação para a estruturação e posterior aplicação do presente projeto é o desenvolvimento da integralidade do ser no ambiente do trabalho de forma coletiva, permitindo a compreensão da conexão das emoções com o conhecimento compartilhado para solucionar problemas no ambiente de trabalho, discutindo erros e acertos para valorizar construções sociais que aprimoram a saúde mental, como proposta pela OMS, no trabalho, gerando sustentabilidade e perenidade nas relações humanas. O ser integrado ao coletivo, fortalece a sua voz e torna-se construtor da excelência, não da perfeição, a partir do aprendizado contínuo. Desta forma, fortalecemos o desempenho coletivo e o enfrentamento dos desafios do cenário global e social minimizando riscos e compreendendo os ativadores do sofrimento e das dores cotidianas.

 

OBJETIVO GERAL

 

Desenvolver fóruns denominados Ilha do Conhecimento Organizacional no ambiente de trabalho para que haja o fortalecimento do coletivo e o acolhimento dos trabalhadores a partir de estudo de casos da rotina organizacional, alinhando emoções e conhecimento técnico na resolução dos casos apresentados. São objetivos específicos do projeto:

 

  1. Perceber a capacidade de trabalho em equipe com foco na resolução de desafios da rotina organizacional;
  2. Desenvolver a segurança psicológica no ambiente organizacional, permitindo que a voz para discussão é sempre bem-vinda;
  3. Aprimorar o protagonismo do coletivo para ações em que o conhecimento gerado e adquirido diminua a pressão gerada pela individualidade e os riscos da globalização contemporânea sobre o ser;
  4. Promover o senso coletivo, solidário e criativo como diferenciais para a prevenção de riscos psicossociais (burnout, ansiedade, depressão);
  5. Identificar os saberes e o propósito de processos, métodos e ferramentas que impactarão de forma positiva na qualidade de vida e sustentabilidade nas organizações. 

 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

O cenário organizacional contemporâneo provoca “uma pressão para gerar fluxo de caixa, o que as deixar para segundo plano a criação de produtos e serviços com qualidade, além de enfraquecer as comunidades organizacionais” (CASTRO, 2012), influenciando para que os trabalhadores, de quaisquer níveis hierárquicos “sacrifiquem suas vidas e sua aspirações pelo bem das empresas” (CASTRO, 2012). Conectando este cenário com as características da sociedade do desempenho que consome a alma do sujeito produtivo contemporâneo a partir da necessidade de produzir com intensidade e perfeição em todo tempo laboral. Segundo Byung-Chul Han (2017), “o que causa a depressão do esgotamento não é o imperativo de obedecer apenas a sim mesmo, mas a pressão do desempenho. Vista a partir daqui a Síndrome de Burnout não expressa o si-mesmo esgotado, mas antes a alma consumida”. Considerando que o trabalho é parte essencial da construção do indivíduo, os impactos da pressão organizacional e a sociedade que gera o poder do desempenho geram impacto na identidade e no papel do ser social. Ou seja, o trabalho define, afinal de contas, como eu organizo meu tempo, como eu defino prioridades, como eu disciplino meu comportamento e minhas condutas. Segundo Vladimir Safatle (2021), “como eu estabeleço em relação a mim mesmo (uma certa relação a mim mesmo), onde me coloco como um produtor, ou seja, eu me organizo na figura de um produtor” (informação verbal). Segundo Mariana Holanda (2022), compreender a saúde mental do trabalhador exige dois questionamentos (a) o que a organização promove ou deixa de promover que pode estra adoecendo as pessoas e (b) como o ciclo de performance pode adoecer (informação verbal). Desta forma, para buscar soluções para as questões supracitadas com o objetivo de promover plena saúde mental dos trabalhadores temos que pensar em espaços que promovam a identidade conectada ao coletivo. Como diz Patch Adams, “a doença mental, como aprendi, é uma resposta à solidão, que em termos médicos é chamada de depressão, precisamos ser coletivos, ser tribais, sem estar desligado da natureza e das artes” (informação verbal). Porém, para gerarmos a conexão com o coletivo, as organizações devem mudar o modelo de atender às demandas apenas com programas desenvolvidos na área de recursos humanos e, sim, há a necessidade de um modelo que envolva a interdisciplinaridade organizacional. Segundo Souza (2021), “muitas empresas, no entanto, pensam que agir sobre a saúde mental no local de trabalho significa criar um conjunto de programas pertencentes aos recursos humanos (RH). Em vez disso, as melhores práticas de saúde mental no local de trabalho devem ser integradas a todos os elementos do modelo operacional de uma empresa, incluindo a sua cultura organizacional”. Além disso, as organizações não podem esperar, em uma questão de atual urgência, governos e entidades de macro representatividade – como sindicatos e conselhos. “Pensar global é uma necessidade. Agir localmente é uma obrigação de cada um de nós” (informação verbal).

 

Segundo Mariana Holanda (2021), “desenvolver espaços de aprendizagem para a transformação do recurso humano em ser humano” (informação verbal) e, complementando com citação à Paulo Freire, “ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (informação verbal) podemos afirmar que para acolhermos os problemas apresentados na situação-problema se faz necessário criar espaços que promovam novos olhares conectados com a sustentabilidade emocional, com o processo de ensino-aprendizagem e com ações coletivas e interdisciplinares. Para isto, propomos no presente projeto a estruturação de Ilhas de Conhecimento Organizacional que tenham como essência a escuta ampliada que “é fundamental para entender o contexto e coletar informações úteis para o manejo necessário nos cenários críticos” (informação verbal). Agora, porque Ilhas do Conhecimento?

 

Segundo Marcelo Gleiser (2014), “considere que a totalidade de nosso conhecimento acumulado constitua uma ilha, que eu chamo de “Ilha do Conhecimento”. Por conhecimento refiro-me principalmente ao conhecimento científico e tecnológico, embora a Ilha também possa incluir as criações artísticas e culturais da humanidade no decorrer da história. A Ilha do Conhecimento é cercada por um vasto oceano, o inexplorado Oceano do Desconhecido, onde inevitavelmente, ocultam-se inúmeros mistérios. Por ora, basta imaginarmos que a Ilha do Conhecimento cresce a cada vez que descobrimos algo mais sobre o mundo e sobre nós”. Portanto, quanto mais conhecemos e estamos em espaços favoráveis para o conhecer, mais o raio da no Ilha do Conhecimento cresce. Importante que, quando associamos a ilha como uma circunferência e o raio como conhecimento, ainda, consideramos a fórmula da pressão – força aplicada sobre uma área – percebemos que pressão é diretamente proporcional à força aplicada e inversamente proporcional à área. Se área é conhecimento, na nossa ilha, quanto mais conhecimento, menos pressão (fig.1). 

Fig.1: Relação área da ilha do conhecimento com a fórmula da pressão. Elaborada pelo autor.

 

Ou seja, as Ilhas do Conhecimento Organizacional objetiva diminuir pressão que o humano sente a partir do conhecimento. Desta forma, desenvolvemos um espaço vivo e de constante construção de educação socioemocional nas organizações, que segundo Renato Caminha (2021), “a educação socioemocional agrega (a) para aumento dos comportamentos empáticos e cooperativos, (b) para maior capacidade de resolução e mediação de problemas, (c) para maior socialização e colaboração grupal, (d) para menor índice de agressividade/impulsividade e (e) para maior resiliência e consequente redução de transtornos de depressão ao longo da vida (informação verbal).

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2. Fala do professor Vladimir Safatle na disciplina As determinações histórico-culturais para a gestão do sofrimento psíquico, PUCPR Digital, em 2 de jul. de 2021.

3. Fala da professora Mariana Holanda na disciplina Desconectado de Si Mesmo: A Automatização dos Processos e o Esgotamento Emocional no Trabalho, PUCPR Digital, em 21 de jan. de 2022.

4. Fala do professor Patch Adams na disciplina Por Novas Linguagens para Expressão de Saúde: A Arte e a Criatividade, PUCPR Digital, em 17 de dez. de 2021.
5. Fala do professor Kleber Candiotto na disciplina Admirável Futuro Novo, PUCPR Digital, em 24 de nov. de 2021 

6. Fala da professora Mariana Holanda na disciplina Desconectado de Si Mesmo: A Automatização dos Processos e o Esgotamento Emocional no Trabalho, PUCPR Digital, em 21 de jan. de 2022.

7. Fala da professora Adriana Foz na disciplina Inovações Tecnológicas como Estratégias para Saúde Mental na Educação, PUCPR Digital, em 22 de out. de 2021.

8. Fala do professor Deivisson Vianna na disciplina A Emergência do Cuidado Mediante Crises em Saúde Coletiva, PUCPR Digital, em 10 de set. de 2021

 

METODOLOGIA

 

O projeto de aplicação é desenvolvido utilizando de ações coletivas com a metodologia brainstorming buscando valorizar as contribuições de todos os participantes e com a utilização de um Canvas desenvolvido para o projeto (fig.2). 

 

A Ilha do Conhecimento Organizacional é formada por um líder facilitador com a responsabilidade de organizar a atividade e facilitar as discussões conforme ordem estabelecida na metodologia. A metodologia, com o objetivo de valorizar as discussões, preconiza que o número de líderes organizacionais participantes deve variar entre 8 e 12 líderes, que devem propor o caso a ser discutido. O caso deve ser de processos ou de projetos relacionados à rotina da organização.

 

A partir da escolha do caso a ser estudado, os participantes inserem no Canvas quais as emoções que estão sentindo no início do processo. A inserção das informações deve ser com bloco de notas com adesivo (por exemplo, Post-it®), para que todos participem. Assim, que todos colocarem as EMOÇÕES INICIAIS, a ordem das informações a serem inseridas deve ser:

 

1) APRESENTAÇÃO DO CASO: o líder escolhido apresentas as características técnicas, o objetivo, os pontos fortes e as vulnerabilidades do processo ou do projeto a ser estudado;

2) COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS: o grupo estrutura quais os conhecimentos, habilidades e ações devem ser identificadas para garantir e aprimorar a eficiência do processo e/ou projeto organizacional. Importante: por usar da metodologia brainstorming, todos devem contribuir;

3) PONTOS DE ATENÇÃO: a principal pergunta desta etapa é ‘O que pode falhar neste processo?’, desta forma oportuniza aos participantes a discutirem sobre potenciais erros e/ou falhas, prevenindo e compartilhando ações e conhecimentos relacionados à gestão de riscos;

4) CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS: momento de discutir quais os conhecimentos que adquirimos no nosso encontro.

Após a análise de casos, os líderes compartilham quais as emoções que estão sentindo na finalização do processo, EMOÇÕES NA FINALIZAÇÃO que devem ser comparadas com as emoções iniciais

Fig.2: Canvas Ilha do Conhecimento Organizacional. Elaborada pelo autor.

 

Após o fechamento, o líder responsável na facilitação da atividade registra e compartilha como todos os participantes o conhecimento e as emoções discutidas no processo, para ser revisitado nos momentos iniciais (entre a etapa de EMOÇÕES INICIAIS e APRESENTAÇÃO DO CASO), do próximo encontro para estimular o processo de memória organizacional. O tempo sugerido de cada reunião é de 2h (duas horas).

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9. Fala do professor Renato Caminha na disciplina A humanização no atendimento: o uso das tecnologias leves em saúde, PUCPR Digital, em 24 de set. de 2021.

 10. Brainstorming parte do processo que abrange todas as ideias conjecturais possíveis, como soluções ou diretivas para outras ideias que, por sua vez, poderão conduzir à solução. Quanto mais ideias concebermos conjenturalmente, por meio de possibilidades alternadas, tanto mais provável é acertar em uma ou mais que nos resolvam o problema (Osborn,1987)” in DOS SANTOS GARCIA et al, 2022.

 11. CANVAS: painel impresso que permite a organização e análise das contribuições coletivas sobre temas específicos.

 

RESULTADOS ESPERADOS

 

Desenvolver conexões de saberes, com base na identificação das emoções e dos conhecimentos compartilhados, aprimora a coletividade para resolução de problemas com menos pressão e intensificando as relações humanas biopsicossociais. Além disso, a Ilha do Conhecimento Organizacional torna-se um espaço democrático e técnico para a análise e atendimento dos desafios organizacionais. Baseado no objetivo, na justificativa e na metodologia do projeto de aplicação em questão, propomos os seguintes resultados esperados:

 

  1. O trabalho em equipe desenvolverá um ambiente de trocas e de cadeia de ajuda para o aprimoramento dos processos e/ou dos projetos organizacionais;
  2. A liderança terá a percepção que as ideias (mesmo que conflituosas) são sempre bem-vindas e quando não aceitas, há uma justificativa técnica e não impacta negativamente na imagem e no status organizacional da liderança que propõe novas ações;
  3. Identificação, acolhimento e discussões das emoções compartilhadas, gerando confiança e um ambiente que o aprendizado contínuo é valorizado;
  4. Os saberes e o propósito de processos, métodos e ferramentas maximizarão acertos e minimizarão os erros organizacionais, valorizando as competências individuais e coletivas e os conhecimentos gerados pelo coletivo;
  5. As ações coletivas, solidárias e criativas para resolução de problemas e aprimoramento de forças organizacionais promoverão a favorabilidade (clima) para prevenção, a partir de rodas de conversa, de riscos psicossociais (burnout, ansiedade, depressão) no ambiente laboral.

 

No livro Reinventando a Educação, o professor Muniz Sodré (2012) provoca a seguinte reflexão: onde termina a informação e começa a educação. A Ilha do Conhecimento Organizacional tem na sua metodologia a essência da educação como instrumento para a promoção da saúde mental. Os resultados esperados supracitados estarão direcionados para esta missão: transformar, a partir do compartilhar emoções e conhecimentos, informações em líderes seguros psicologicamente e que desenvolverão relações humanas e empáticas.

 

REFERÊNCIAS 

 

CASCIO, J. A educação em um mundo cada vez mais caótico. Boletim Técnico do Senac, v. 47, n. 1, p. 101-105, 2021.

CASTRO, Fernando Gastal de. O fracasso do projeto de ser: burnout, existência e paradoxos do trabalho. Rio de janeiro: Garamond, 2012

DOS SANTOS GARCIA, Marilene Santana; DA SILVA BRITO, Glaucia; DE MORAIS, Fellipie Anthonio Fediuk. Sprint Sprint, Brainstorming e Design Thinking revisitados como estratégias metodológicas para desencadear projetos criativos e colaborativos em sala de aula. Acta Scientiarum. Education, v. 44, p. e54464-e54464, 2022.

EDMONDSON, Amy C. A Organização Sem Medo: Criando Segurança Psicológica no Local de Trabalho para Aprendizado, Inovação e Crescimento. Alta Books, 2021.

GAINO, Loraine Vivian et al. O conceito de saúde mental para profissionais de saúde: um estudo transversal e qualitativo. SMAD Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas (Edição em Português), v. 14, n. 2, p. 108-116, 2018.

GLEISER, Marcelo. A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido. Editora Record, 2014.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Editora Vozes Limitada, 2ºed. 2017.

HOLANDA, Mariana. Desconectados de si mesmo: A automatização dos processos e esgotamento emocional no trabalho – Episódio 02 Cenário Atual. Videoaula proferida no curso de Pós-Graduação em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano, Curitiba, 2022. Disponível em: posdigitalpucpr.blackboard.com/ultra/courses/_30390_1/cl/outline. Acesso em: 01abr. 2022.          

KAHN, William A. Psychological conditions of personal engagement and disengagement at work. Academy of management journal, v. 33, n. 4, p. 692-724, 1990.

POTTER, Van Rensealler. Bioética: ponte para o futuro. São Paulo: Edições Loyola; 2016.

SHIOZAWA, P. Síndrome de Burnout: há evidência para o uso de antidepressivos? Med Int Méx. 2020; 36(Supl.1): S29-S31. http://doi.org/10.24245/mim.v36id.3773.

SODRÉ, Muniz. Reinventando a educação: diversidade, descolonização e redes. Editora Vozes Limitada, 2012.

SOUZA, Gustavo. Sustentabilidade emocional: o que você precisa saber sobre o tema. Blog Holos. 24 nov. 2021. Disponível em: https://holos.com.br/sustentabilidade-emocional/. Acesso em: 17 jan. 2021.

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RELATO DE EXPERIÊNCIA: ANÁLISE DA MATURIDADE DA CULTURA DE SEGURANÇA DE EMPRESAS DE GRANDE PORTE UTILIZANDO O MÉTODO HEARTS & MINDS https://comportamento.com.br/relato-de-experiencia-analise-da-maturidade-da-cultura-de-seguranca-de-empresas-de-grande-porte-utilizando-o-metodo-hearts-minds/ Thu, 26 May 2022 00:58:44 +0000 https://comportamento.com.br/reflexao-da-lideranca-forca-ou-jeito-copy/ O post RELATO DE EXPERIÊNCIA: ANÁLISE DA MATURIDADE DA CULTURA DE SEGURANÇA DE EMPRESAS DE GRANDE PORTE UTILIZANDO O MÉTODO HEARTS & MINDS apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Relato de experiência: Análise da maturidade da cultura de segurança de empresas de grande porte utilizando o método Hearts & Minds

Denis de Freitas

Psicólogo (UFPR), Mestre em Psicologia (UFPR), Consultor na área da segurança comportamental

Contato: denisdefreitass@gmail.com

 

Maria Cristina Vieira de Cristo e Silva

Psicóloga (UFRN), Mestre em Psicologia (UFMG), Especialização em Neuropsicologia (FUMEC) e Consultora na área da segurança comportamental

Contato: mcristinadecristo@gmail.com

 

Resumo

O método Hearts & Minds tem despontado como um modelo confiável para a realização de diagnósticos em organizações do mundo todo, com uso mais recente na realidade brasileira. Este artigo visa analisar os níveis de maturidade da cultura de segurança de empresas de grande porte, alocadas no Brasil, caracterizando segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas e as estatísticas de acidente das atividades, utilizando o método Hearts & Minds. Esse método distingui a cultura de segurança em cinco níveis de maturidade: Patológico, Reativo, Calculador, Proativo e Generativo. O processo de diagnóstico de cultura de segurança foi realizado em cinco etapas: planejamento, coleta de dados, análise das informações, elaboração e apresentação do relatório. Foram diagnosticadas 16 empresas e suas unidades produtivas, entre 2017 e 2019, totalizando 29 relatórios. A análise dos resultados indica uma grande preocupação das empresas em evitar acidentes, muitas delas procurando conhecer sua realidade para desenvolver ações mais assertivas. Contudo, ainda há significativa dificuldade dessas empresas em compreender os impactos de tomadas de decisões de pessoas que ocupam cargos de gestão, bem como de vivenciar a segurança do trabalho como um processo de desenvolvimento da confiabilidade das operações.

Palavras-chaves: Cultura de Segurança, Diagnóstico de Cultura, Método Hearts & Minds

 

 

Abstract

The Hearts & Minds method has emerged as a reliable model for diagnostics in organizations worldwide, more recently used in Brazilian reality. This article aims to analyze the safety culture maturity levels of big companies, located in Brazil, characterizing according to the National Classification of Economic Activities and the accident statistics of the activities, using the Hearts & Minds method. This method distinguishes safety culture at five maturity levels: Pathological, Reactive, Calculative, Proactive and Generative. The safety culture diagnostic process was carried out in five steps: planning, data collection, information analysis, preparation and presentation of the report. Sixteen companies and their production units were diagnosed between 2017 and 2019, totaling 29 reports. The analysis of the results indicates a great concern of companies to avoid accidents, many of them seeking to know their reality to develop more assertive actions. However, there is still significant difficulty for these companies to understand the impacts of decision making by people in management positions, as well as to experience work safety as a process of developing the reliability of operations.

Key Words: Safety Culture, Cultural Survey, Hearts & Minds Method.

 

 

Introdução

 

No Brasil, segundo dados do Observatório Digital de Segurança e Saúde do Trabalho, é possível contabilizar uma morte por acidente em serviço a cada 3 horas e 40 minutos. De acordo com dados da Previdência Social (2017)1, entre 2015 e 2017 foi registrado no Brasil aproximadamente 1,8 milhão de afastamentos por acidente de trabalho.

A dimensão dessas estatísticas tem despertado o interesse por uma cultura de prevenção de acidentes. Isso tem incentivado empresários, órgãos governamentais e pesquisadores a se aprofundar nos aspectos organizacionais. Dessa forma, aplicar o diagnóstico de cultura de segurança se apresenta como uma alternativa para conhecer a realidade de cada empresa e posterior desenvolvimento de ações assertivas (Gonçalves-Filho, Andrade e Marinho, 2011 2; Vassem, Fortunato, Bastos e Balassiano, 20173).

Especialistas em segurança associam o efeito do desenvolvimento de uma cultura de segurança com a melhoria do desempenho de segurança das organizações, impactando na redução de acidentes e possíveis desastres (Cooper, 2000)4, assim como alguns autores sinalizam que as organizações com boa cultura de segurança têm taxas de acidentes menores do que aquelas com cultura de segurança fraca (Horbury e Bottomley, 1998 apud Stemn, Bofinger, Cliff e Hassal, 20195). Hudson (2007)6 ao abordar sobre indicadores de reporte de acidente e da cultura de segurança, afirma que “A problemática reside em que, pode ser que uma cultura de registros não faça uma cultura de segurança, mas sim que uma cultura de segurança torna possível uma cultura de registros.”[1] (p.718). Mas, como diagnosticar a cultura de segurança?

Para diagnosticar a cultura de segurança de uma organização muitos instrumentos tem sido desenvolvidos dentro e fora do Brasil (Gonçalves-Filho, Andrade e Marinho, 20107; 20112; 20138; Vassem, Fortunato, Bastos e Balassiano, 20173; Stemn, Bofinger, Cliff e Hassal, 20195). O material que foi utilizado como referência para a realização desse trabalho é o modelo chamado Escada da Cultura de Segurança9, que leva a marca do Hearts & Minds, um programa de segurança que foi desenvolvido pela Shell E&P em parceria com as universidades Leiden na Holanda, Manchester, Glasgow e Aberdeen, no Reino Unido.

O programa tem sido aplicado com sucesso em empresas no mundo todo, mas ainda é recente o uso do modelo na realidade das indústrias brasileiras (Gonçalves Filho, Andrade e Marinho, 20107).

Nesse modelo, a cultura de segurança é entendida como as crenças e as atitudes da organização voltadas para a segurança. Tem um papel importante na organização e influencia o quão seguro é o comportamento das pessoas. De maneira mais objetiva, a cultura de segurança influencia o ambiente no qual as pessoas trabalham e no qual as barreiras contra o acidente estão agindo (Hudson, 20076). Com características diferentes, a cultura de segurança pode ser compreendida em cinco níveis de maturidade, quais sejam:

 

  • Patológico: Segurança não é um elemento importante, as pessoas são guiadas pela conformidade às normas e/ou para não sofrerem punições.
  • Reativo: Ações em segurança são levadas a sério quando as coisas dão errado.
  • Calculador: Ênfase em sistemas e estatísticas. Contudo, a eficácia dos dados coletados nem sempre é verificada. Tendência a valorizar resultados quantitativos.
  • Proativo: Gestão analisa o que aconteceu no passado para impedir que algo dê errado no futuro. A força de trabalho envolve-se na prática e a função de segurança é compartilhada. A atuação de especialistas em segurança passa a ser de orientação em vez de execução.
  • Generativo: A organização define padrões elevados e busca superá-los. As falhas são entendidas para melhorar os processos e não para culpar pessoas. Há uma comunicação de mão dupla com a força de trabalho.

 

O desenvolvimento da cultura de segurança como degraus auxilia na compreensão de que existe um caminho a ser percorrido entre culturas menos avançadas para outras mais avançadas, e mais ainda, que existem momentos de transição e que ao reconhecer o nível atual de maturidade em segurança a organização pode olhar as características do nível seguinte e traçar metas para alcançá-las (Hudson, 20076). A Figura 1 demonstra a Escada da Cultura de Segurança.

 

Figura 1 – Escada da Cultura de Segurança

Fonte: Hudson, 20076. Tradução dos autores.

 

Para identificar qual o nível de maturidade que a organização se encontra, o material do Hearts & Minds apresenta uma matriz com dezoito itens que devem ser analisados e detalhados dentro de cada organização (veja o Quadro 1).

 

Quadro 1 – itens de avaliação da Cultura de Segurança

 

A) Comunicação em segurança J) Técnicas de gerenciamento de segurança em área
B) Nível de compromisso dos trabalhadores em segurança K) Propósito dos procedimentos
C) Recompensas de um bom desempenho em segurança L) Análise e relatório de ocorrências
D) Quem causa perdas/danos/acidentes aos olhos da gestão M) Gestão comportamental
E) Equilíbrio entre lucratividade e segurança N) Comportamentos pós ocorrências
F) Gestão de terceiros O) Checagem de segurança
G) Interesse em desenvolvimento em segurança P) Clima das reuniões em segurança
H) Tamanho/status da área de segurança Q) Auditorias e revisões
I) Planejamento de trabalho R) Benchmarking, tendências e estatísticas

Fonte: Caderno Entendendo sua Cultura10, da marca Hearts & Minds. Tradução dos autores.

 

Alguns estudos também têm demonstrado que a cultura de segurança não se desenvolve com a mesma velocidade em toda a empresa e nem em todas as dimensões. Assim, uma mesma empresa pode ter unidades produtivas com culturas de segurança diferentes e até mesmo setores com subculturas de segurança, embora essas não sejam tão comuns o diagnóstico (Gonçalves Filho, Andrade e Marinho, 20107; Hudson e Willekes, 20009; Stemn, Bofinger, Cliff e Hassal, 20195).

Neste artigo são analisados, a partir de análise de documentos (i.e., de pareceres técnicos de atividades de consultoria em que os autores participaram) os níveis de maturidade da cultura de segurança de empresas de grande porte, caracterizando segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas e as estatísticas de acidente das atividades, utilizando o método Hearts & Minds.

Trata-se de um processo de pesquisa que busca compreender os aspectos comuns relacionados ao contexto atual do trabalho e como ele afeta o comportamento e as atitudes dos trabalhadores no âmbito da Segurança do trabalho.

Este relato de experiência é decorrente de uma ação pioneira na aplicação desse método no Brasil por meio de consultoria empresarial, após ter passado por uma formação oficial proposta pelo Instituto Energy, em Londres, em 2012. A consultoria atua no mercado brasileiro há mais de vinte anos com foco em desenvolver uma cultura preventiva nas organizações. O corpo de funcionários é multidisciplinar, formado por psicólogos, engenheiros e administradores, com formação técnica específica para atuar nos diversos temas que envolvem o campo, desde diagnósticos de clima e cultura de segurança, a treinamentos e intervenções pós acidentes.

 

Método

 

O processo de diagnóstico de cultura de segurança dispunha de um fluxo de cinco etapas a serem seguidas pela consultoria: planejamento das atividades, coleta de dados, análise das informações, elaboração e apresentação do relatório.

A etapa de planejamento das atividades consistiu no levantamento de características da empresa cliente, como: histórico, demanda, porte, número de funcionários, bem como a definição de cronograma para coleta dos dados e datas para as etapas seguintes do fluxo.

Para a realização da coleta de dados, em cada diagnóstico, percorreu-se as seguintes etapas:

 

  • Encontro Hearts & Minds: reunião com alta liderança da organização (coordenadores, gerentes, diretores e presidentes) para preenchimento da matriz com os dezoito itens (Quadro 1), o que possibilitou que essas lideranças discutissem e indicassem a própria percepção sobre o nível de maturidade da empresa. Atividade importante para conhecer o nível de autocrítica das lideranças (Hudson e Willekes, 20009).
  • Grupos focais: reuniões com profissionais, divididos em grupos de mesma hierarquia, com no máximo 15 pessoas, em que o profissional da consultoria utilizando-se da matriz com as 18 dimensões como norteador, questionou os profissionais da empresa para que eles compartilhassem suas percepções e exemplos que representassem o dia a dia da segurança do trabalho na organização. Os encontros possibilitaram a obtenção de informações sobre a percepção de diferentes grupos de trabalhadores.
  • Entrevistas: Entrevistas individuais com profissionais considerados fundamentais para a compreensão dos processos de segurança da empresa (ex., diretor, profissionais de saúde e gerente).
  • Observação e abordagem comportamental: Momento da coleta de dados destinado a visitas em área operacional, com o intuito de aprofundar o entendimento sobre o dia a dia da organização, do uso das ferramentas de segurança, bem como das informações levantadas nos outros métodos. Fundamenta-se em uma ferramenta amplamente utilizada no mercado, o Behavior Based Safety (Geller, 2001¹¹).
  • Análise documental: também foram analisados documentos de segurança, como: política de segurança da empresa; indicadores de segurança; relatórios de investigações de acidente; modelos de permissão de trabalho, de análise preliminar de risco, de inspeção planejada, de diálogos de segurança; materiais utilizados em treinamentos; campanhas de Segurança; materiais de informação para visitantes; manuais de procedimentos de segurança; e organograma da empresa.

 

Após a coleta dos dados, as informações geradas foram analisadas e, posteriormente, os relatórios foram apresentados. Coube à consultoria correlacionar as evidências, visando a classificação do nível de maturidade de cada item (18 itens), seguindo orientações do modelo Hearts & Minds (Hudson, 20076) e conforme a expertise. O resultado dessa análise gerou o parecer da consultoria, que apontou em cada diagnóstico o estágio de maturidade. A consultoria apresentou a cada empresa diagnosticada uma proposta de plano de transformação cultural, que poderia ou não ser continuado com a consultoria.

Os critérios para a inclusão das empresas no presente relato de experiência foram: (1) ser uma empresa de grande porte (mais de 500 empregados, segundo a classificação do IBGE), (2) ter sido realizada entre 2017 e 2019, e (3) contar no parecer da consultoria o número total de funcionários e da amostra no momento desta pesquisa.

 

Amostra

 

Foram analisados os documentos técnicos de consultoria referentes aos diagnósticos realizados em 16 empresas e suas unidades produtivas, totalizando 29 relatórios de diagnóstico de cultura de segurança em empresas de grande porte brasileiras.

Por se tratar de um serviço contratado à consultoria, muitas empresas optam por diagnosticar apenas alguma(s) de sua(s) unidade(s) produtivas. Essas unidades produtivas podem estar localizadas em diferentes partes do Brasil. Dessa forma, uma única empresa pode ter mais de um relatório de diagnóstico, ou mesmo um único diagnóstico realizado que não é, necessariamente, da empresa como um todo, podendo ser apenas de uma de suas unidades.

Dentre os diagnósticos realizados, há unidades na região do Paraná (N=1), Santa Catarina (N=1) e Rio Grande do Sul (N=1), Maranhão (N=1), Pará (N=2), Goiás (N=2), Bahia (N=2), Espírito Santo (N=2), Rio de Janeiro (N=3), Minas Gerais (N=4), São Paulo (N=16).

Para facilitar a compreensão das categorias de empresas presentes na pesquisa, bem como garantir o anonimato delas, optou-se por utilizar a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), das quais podemos destacar quatro delas: Transporte, armazenagem e correio (N=1), Indústrias extrativas (N=5), Agricultura, Pecuária, Produção florestal, Pesca e Aquicultura (APPFPA) (N=7) e Indústrias de transformação (N=16).

O número total de funcionários informados pelas unidades no momento de cada diagnóstico soma-se 38.934 pessoas. Dentre estes, o número total de pessoas ouvidas nas pesquisas soma-se 5.287 pessoas.

Sobre o período dos relatórios de diagnósticos do estudo, 10 foram realizados em 2010, 11 foram realizados em 2018 e 8 foram realizados em 2019 (até o mês de abril).

 

Resultados e discussão

 

Os resultados serão apresentados analisando as características gerais dos níveis de maturidade encontrados e na sequência a descrição das maturidades caracterizando segundo o CNAE e as estatísticas de acidente de cada atividade.

Os níveis de maturidade mais encontrados foram Reativo e Calculador, identificados em 13 empresas/unidade produtiva cada, seguidos dos níveis Patológico e Generativo, com 2 e 1 resultados, respectivamente.

Nas empresas Patológicas pesquisadas constatou-se a ausência de sistemas de gestão em segurança com foco em prevenção, ao passo que contabilizavam apenas os acidentes ocorridos, com baixo ferramental de segurança e com poucas campanhas visando a prevenção de acidentes. Foram frequentes nesses diagnósticos os relatos de funcionários que sinalizavam a existência de subnotificações. Estas ocorriam por medo da exposição gerada aos acidentados, que comumente eram vistos como culpados pelos acidentes e, consequentemente, pelos impactos negativos em metas de bonificação por ausência de acidentes.

A prática de associar prêmios financeiros à ausência de acidentes, embora não permitido por lei, é praticada em muitas organizações, na forma de remuneração indireta, sem estar vinculado ao salário na carteira de trabalho. É uma prática que tende a diminuir à medida que a organização alcança maiores níveis de maturidade em sua cultura de segurança. Nas empresas pesquisadas que apresentaram as maturidades reativo e calculador também houve relatos de subnotificações, quando existia a prática do prêmio financeiro. No estágio generativo essa prática não foi identificada.

De maneira geral, alcançar a meta do “zero acidente” é o grande foco em segurança das empresas pesquisadas. Foco este que, apesar do discurso, não significa que a segurança seja uma prioridade. É importante dizer que a não ocorrência de acidentes deve sempre ser algo positivo, mas, a literatura sinaliza que a diminuição no número de acidentes passa a ser a consequência de uma empresa madura, e não o objetivo principal de todas as suas ações.

Quando a empresa foca somente no “zero acidente”, sem aprimorar o sistema de gestão e o gerenciamento dos riscos, os funcionários sentem-se pressionados em não prejudicar o principal indicador de segurança, que é a taxa de frequência de acidentes. Contudo, nota-se que desvios de segurança podem ser tolerados no dia a dia, enquanto esses desvios gerarem mais produção e não resultarem em acidente. Esse perfil de empresa foi diagnosticado principalmente com nível de maturidade Reativo.

Na prática, quando a segurança é vivenciada como um processo burocrático, que conflita diretamente com a produção e que a preocupação é com o acidente, não necessariamente com a prevenção, percebe-se um nível de maturidade Calculador. A empresa não tem clareza e nem consegue desenvolver indicadores para mensurar como a segurança poderia contribuir para a confiabilidade das operações.

Até o nível de maturidade Calculador, verificou-se que as ações de segurança são executadas por via de cobrança externa, seja por exigências legais ou porque a equipe de segurança do trabalho se comporta, primordialmente, como uma equipe de fiscalização.  De forma positiva, os setores nos quais as equipes de segurança do trabalho estão inseridas são percebidas como necessárias dentro da organização.

Grande parte das empresas pesquisadas promovem a educação para a segurança atuando somente no clima de segurança, através de campanhas com banners espalhados pela empresa ou com palestras motivacionais, uma vez que ações no clima impactam de maneira momentânea, entendendo o clima como um retrato das percepções compartilhadas pelas pessoas no ambiente de trabalho das iniciativas de segurança do local (Zhang, Wiegmann, e Thaden, 2002¹²). Pouco se veem ações educativas voltadas para a conscientização das pessoas, com tomadas de decisões horizontais e baseadas em análises sistêmicas de fatores organizacionais, as quais impactariam na cultura, ou seja, nas atitudes e nos comportamentos relacionados com o aumento ou a diminuição da exposição ao risco na organização (Guldenmund, 2000¹³).

Quando o assunto é o acidente, as investigações e as análises de ocorrências com frequência avançam apenas até a identificação de erro humano, entendo este erro como falha da percepção de risco do funcionário, falta de atenção na atividade, ou apenas autoconfiança, características descritas por Almeida (2006)14 como uma abordagem tradicional, que tende a punir as vítimas e não alterar os sistemas em que se ocorrem os acidentes.

É percebida a dificuldade que as pessoas que ocupam os cargos de gestão têm em entender o peso de suas decisões e de seu estilo de liderança como fator contribuinte das ocorrências, bem como no desenho de planos de ação que atuem na causa raiz, e efetivamente possam evitar reincidência. Nesse cenário, as intervenções da consultoria costumam visar uma análise mais profunda de elementos organizacionais, compreendendo como as práticas cotidianas são naturalizadas e podem legitimar comportamentos de risco.

Na contramão desse cenário, a empresa com nível de maturidade Generativa vivenciou um processo de mudança de modelo de gestão, passando a considerar aspectos organizacionais como elementos primordiais para o aumento do nível de maturidade, como por exemplo: capacitação dos funcionários, ênfase no reconhecimento de comportamentos seguros, ações de benchmarking, análise das ocorrências com identificação das causas básicas, ênfase no ciclo de Planejamento, Desenvolvimento, Check e Análise, conhecido como PDCA das ferramentas, comunicação eficaz entre líder e liderado, etc. Cabe salientar, que no nível Generativo, a organização não é imune aos acidentes, exigindo estratégias para manutenção da maturidade.

Contextualizando os níveis de maturidade encontrados na gama de atividades econômicas da realidade brasileira têm-se a distribuição apresentada no Quadro 2. Das 21 atividades econômicas descritas no CNAE, apenas 4 aparecem na pesquisa, demonstrando a grande oportunidade que existe no mercado para a realização de diagnósticos em diferentes segmentos e/ou o quanto os segmentos pesquisados tem sofrido maiores influencias da sociedade, dos governos e acionistas para investirem em cultura de segurança.

Conforme mostra o Quadro 2, o estágio de maturidade Patológico foi diagnosticado somente no setor de APPFPA e o estágio Generativo, apenas na Indústria de Transformação. Os estágios Reativo e Calculador aparecem em todos os setores pesquisados (com exceção do setor de Transporte, armazenagem e correio com apenas um diagnóstico realizado).

Olhando mais detalhadamente as atividades econômicas e correlacionando com os dados da Previdência Social (2017¹) entre os anos de 2015 e 2017 teremos a distribuição conforme o Quadro 3, no qual é possível fazer algumas análises.

 

Quadro 2 – níveis de maturidade de cultura de segurança de acordo com CNAE

 

CNAE Maturidade Quantidade

Agricultura, Pecuária, Produção florestal, Pesca e Aquicultura (APPFPA)

 

Patológico 2  
Reativo 3  
Calculador 2  
Indústrias de transformação Reativo 7  
Calculador 8  
Generativo 1  
Indústrias extrativas Reativo 2  
Calculador 3  
Transporte, armazenagem e correio Reativo 1  

Fonte: Elaborado pelos autores.

 

Quadro 3 – Quantidade de acidentes de acordo com o CNAE

 

CNAE Total de acidentes por categoria 2015/16/17 % do Total de acidentes 2015/16/17 Total de Acidentes – Geral 2015/16/17
Agricultura, Pecuária, Produção florestal, Pesca e Aquicultura (APPFPA) 50.683 3% 1.757.410
Indústrias de transformação 463.230 26%
Indústrias extrativas 13.248 0,75%
Transporte, armazenagem e correio 140.872 8%

Fonte: Elaborado pelos autores.

 

O setor econômico da APPFPA caracteriza-se pela sazonalidade de suas operações, o que, não raro, leva a contratação formal de funcionários apenas nos grandes períodos de safra, além de ser um setor que emprega muitos trabalhadores de baixa escolaridade. Há décadas as empresas do setor têm passado por um processo de modernização de lavouras, com a inclusão de máquinas agrícolas e a utilização de agrotóxicos, que tem aumentado o potencial de gravidade de acidentes das operações (Rodrigues & Silva, 198615).

Essas características, juntamente com os dados de acidentes apresentados pela Previdência Social, levantam questionamentos sobre o sub-registro dos acidentes do setor (Rodrigues & Silva, 198615). É o setor no qual há as duas empresas que foram classificadas como Patológicas, indicando a necessidade de maior olhar e investimento para a cultura de segurança.

A Indústria de transformação, que apresenta a maior porcentagem de acidentes de trabalho dentre os setores pesquisados (26%), também teve uma participação de 18% no número de empregos formais no Brasil, segundo dados do IPEA (2018)16, ficando atrás apenas do setor de serviços, com 44,5%. Esse setor tem a maior procura por diagnósticos, foram 16 no total, segundo a amostra pesquisada neste estudo, demonstrando grande interesse em conhecer o nível de maturidade da cultura de segurança.

O setor da Indústria extrativa, apesar de apresentar o menor percentual do número de acidentes (0,75%) dentro da amostra, é o que possui atividades com o maior grau de risco atribuído, o nível 4, em uma escala de 1 a 4. São empresas que têm buscado na mecanização das atividades uma alternativa para lidar com o grau de risco que apresentam, assim como o desenvolvimento de diagnósticos de cultura.

Por fim, o segmento de Transporte, armazenagem e correio, em segundo lugar na porcentagem de acidentes, com 8%, necessita promover maior abertura para conhecer e desenvolver a cultura de segurança. O único diagnóstico realizado no período pesquisado mostra uma empresa no nível reativo, no qual o acidente é o gatilho para a promoção de ações de prevenção que são pontuais, sem planejamento para a continuidade.

 

Considerações Finais

 

O avanço na maturidade da cultura de segurança passa pela mudança do modus operandi, ou seja, aumento da consciência de forma que a segurança seja praticada em todos os níveis hierárquicos, sem conflitos com produção, em que papéis e responsabilidades são bem definidos, executados e reconhecidos. Com isso, os sistemas de gestão precisam ser desenhados para contemplar segurança em todas as etapas, do desenho de um novo projeto ao planejamento diário da produção.

Essa forma de pensar e fazer segurança é o grande desafio para a realidade brasileira, uma vez que enfrentamos problemas sociais que vão desde a dificuldade de escolarização, hierarquia social fortemente marcada e dificuldades de acesso ao emprego. Essas características, se correlacionadas com o ambiente organizacional podem influenciar diretamente as relações de atribuição de culpa no acidente, a dificuldade em se opor a condições inseguras de trabalho e a terceirização das ações que envolvem a segurança do trabalho sempre a uma terceira pessoa e menos como protagonista (seja, operador, supervisor ou gerente).

A industrialização brasileira também apresenta os seus entraves. As empresas estão em diferentes estágios de modernização, enquanto umas seguem com modelos fordistas com a predominância de pessoas em cada etapa do processo produtivo, outras já despontam nos conceitos modernos da indústria 4.0, dificultando o estabelecimento de estratégias comuns de atuação e tornando o trabalho das consultorias empresariais mais customizado para cada empresa.

            A pesquisa descrita nesse relato de experiência, apesar do seu pioneirismo, apresenta limitações. Apresenta-se um número limitado de diagnósticos de cultura de segurança, reconhecendo que é uma parcela pequena quando comparado ao universo de empresas instaladas em nosso país. Sabe-se também da existência de outros instrumentos para medir cultura de segurança, o que dificulta a padronização e entendimento da maturidade de outras empresas. Outra limitação é o envolvimento de recursos financeiros. Por se tratar de serviço de consultoria, pode-se inferir que nem todas as empresas disponibilizam capital para investir nesse tipo de ação e que ficam dependentes, por exemplo, de pesquisa promovida por universidades ou por órgãos do governo para ter acesso a tais informações.

No entanto, é importante dar os primeiros passos na divulgação desses resultados, seja para conhecer o panorama atual da maturidade da cultura de segurança do trabalho no Brasil, seja para saber que as empresas, apesar dos problemas que apresentam, estão buscando consultorias especializadas para mapear e ter clareza a respeito do seu cenário organizacional.

Uma vez que o diagnóstico de cultura de segurança era contratado pelas empresas, todas demonstraram reais interesses em ter melhor entendimento sobre os itens que compõem sua cultura de segurança, assim como os envolvidos no diagnóstico, dos diretores aos níveis operacionais, tinham interesse em contribuir com informações pertinentes.  Essa percepção da consultoria é importante ser compartilhada, uma vez que o nível de profundidade do diagnóstico pode trazer à tona elementos delicados da cultura de uma organização.

No longo prazo, no que se referem aos estudos sobre a temática, é possível pensar na construção de um banco de dados que mantenha as informações sobre o nível de maturidade da cultura de segurança das organizações brasileiras, e que seja útil para nortear políticas públicas e caminhos de atuação, pensando em cada nível de maturidade específico.

Por fim, o método Hearts & Minds, demonstra simplicidade na aplicação do diagnóstico e precisão. Ao fornecer 18 itens que devem ser analisados, amplia a concepção de que uma cultura de segurança madura não é a ausência de acidentes e sim a combinação de fatores (pessoas, processos e sistemas), sendo desenvolvidos buscando o equilíbrio entre lucro, segurança e o cuidado com as pessoas.

 

 

REFERÊNCIAS

 

  1. Previdência Social [internet]. 2017. [Acesso em 2019 jun.30]. Disponível em: http://www.previdencia.gov.br/dados-abertos/dados-abertos-sst/

 

  1. Gonçalves Filho AP, Andrade JCS, Marinho MMDO..Cultura e gestão da segurança no trabalho: uma proposta de modelo.Gest. Prod. [online]. 2011, vol.18, n.1, pp.205-220. ISSN 0104-530X.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-530X2011000100015.

 

  1. Vassem AS, Fortunato A, Bastos SAP, Balassiano M. Fatores constituintes da cultura de segurança: olhar sobre a indústria de mineração. Gest. Prod., São Carlos. 2017;  v. 24, n. 4, p. 719-730.  http://dx.doi.org/10.1590/0104-530X1960-16

 

  1. Cooper D. Towards a model of safety culture. Safety Science. 2000; n. 36, p. 111-136.

 

  1. Stemm E, Bofinger C, Cliff D, Hassal ME. Examining the relationship between safety culture maturity and safety performance of the mining industry. Safety Science. 2019; 113: 345–355. Apud Horbury, C., Bottomley, D., 1998. Research into health and safety in the paper industry. Health and Safety Laboratory.

 

  1. Hudson P. Implementing a safety culture in a major multi-national. Safety Science. 2007; 45: 697–722.

 

  1. Gonçalves Filho AP, Andrade JCS, Marinho MMDO. A safety culture maturity model for petrochemical companies in Brazil. Saf. Sci. 2010; 48 (5), 615–624. https://doi.org/10.1016/j.ssci.2010.01.012.

 

  1. Gonçalves Filho AP, Andrade JCS, Marinho MMDO. Modelo para a gestão da cultura de segurança do trabalho em organizações industriais. Produção, jan./mar. 2013; v. 23, n. 1, p. 178-188. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-65132012005000044

 

9. Hudson, P, Willekes, FC. The hearts and minds project in an operating company: developing tools to measure cultural factors. In: Proceeding of the SPE International Conference on Health, Safety, and the Environment in Oil and Gas Exploration and Production Stavanger, Norway. Richardson, Texas. 2000; (SPE 61228).

 

10.Caderno Entendendo sua Cultura, adquirido em https://publishing.energyinst.org/heartsandminds/toolkit/UYC

 

11. Geller ES. The Psychology of Safety Handbook. 2001.

 

  1. Zhang, H., Wiegmann, D. A., Thaden, T. von., Sharma, G. & Mitchell, A. A. (2002). Safety culture: a concept in chaos? In: 46th Annual Meeting of the Human factors and ergonomic society. Santa Monica.

 

  1. Guldenmund FW. The nature of safety culture: a review of theory and research. Safety Science. 2000; v. 34, p. 215-257.

 

  1. Almeida IM. The path of accident analysis: the traditional paradigm and extending the origins of the expansion of analysis. Interface – Comunic., Saúde, Educ. 2006, v.10, n.19, p.185-202, jan/jun.

 

  1. Rodrigues VL, Silva JG. Acidentes de trabalho e modernização da agricultura brasileira. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional. 1986, 14:28-39.

 

  1. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [internet]. 2018. Carta de conjuntura. Mercado de trabalho. NÚMERO 41 — 4 ˚ TRIMESTRE DE 2018. Maria Andreia Parente Lameiras. Sandro Sacchet de Carvalho. Carlos Henrique L. Corseuil. Lauro R. A. Ramos. [acesso em 2019 jul.30]. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34745&Itemid=3

 

[1] Tradução dos autores.

 

Este artigo foi publicado originalmente na Revista Proteção ed. 361 ano 2022.

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ATUAÇÃO DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO: FORMAÇÃO TÉCNICA X OS DESAFIOS DA ATUAÇÃO CONTEMPORÂNEA https://comportamento.com.br/atuacao-do-tecnico-de-seguranca-do-trabalho-formacao-tecnica-x-os-desafios-da-atuacao/ Thu, 15 Apr 2021 09:41:48 +0000 https://comportamento.com.br/?p=3786 O post ATUAÇÃO DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO: FORMAÇÃO TÉCNICA X OS DESAFIOS DA ATUAÇÃO CONTEMPORÂNEA apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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Atuação do técnico de segurança do trabalho: formação técnica x os desafios da atuação  contemporânea

Maria Cristina Vieira de Cristo e Silva [1]

  

  1. O surgimento do técnico em segurança do trabalho: breve percurso histórico

Para entender o papel do técnico de segurança do trabalho hoje nas organizações, é preciso retomar um pouco o percurso das leis sobre segurança do trabalho no Brasil. Enquanto no início do século XIX países europeus como a Inglaterra, já possuíam leis que regulavam e buscavam dar alguma garantia ao trabalhador contra os acidentes de trabalho, no Brasil, apesar da criação de leis a partir de 1891, o cumprimento e fiscalização eram incipientes devido a pouca industrialização. Sendo somente com a aprovação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1943, o marco regulatório sobre acidentes no Brasil.  O Capítulo V da CLT versava sobre “Da Higiene e Segurança do Trabalho”, abrindo o caminho para a consolidação da área.

Em 1967, foi incluída na CLT, a necessidade das empresas constituirem um Serviço Especializado     em Saúde e Medicina do Trabalho – SESMT. Embora nesse primeiro momento a constituição do SESMT não fosse obrigatória e o seu foco fosse mais corretivo do que preventivo, já impulsionava as bases para o surgimento do profissional da segurança. Em 1972, uma nova Portaria criou o SESMT obrigatório, dando início a profissionalização do segmento e a criação do primeiro cargo da área denominado ‘Supervisor de Segurança do Trabalho’. Em 1976, a nomenclatura do cargo muda, passando o profissional a ser chamado de ‘Inspetor de Segurança do Trabalho’, mas somente em 1985 é criada a profissão de Técnico de Segurança do Trabalho, como conhecemos hoje. O curioso desse percurso, reside no fato de que, somente três anos depois de regulamentada a profissão é que foi implantado o primeiro curso de Técnico de Segurança do Trabalho no Brasil, em 1988.

Durante essa trajetória das leis trabalhistas voltadas para a segurança do trabalho, o Brasil viveu diferentes momentos políticos e econômicos, mas a industrialização e seus dados alarmantes sobre acidentes, acenderam a luz sobre a realidade em que estavam vivendo os trabalhadores brasileiros e isso impulsionou a criação do setor voltado a segurança do trabalho.

 

  1. A formação do Técnico em Segurança do Trabalho

A formação do técnico de segurança, como o próprio nome já retrata, é um profissional de ensino médio com formação técnica em segurança do Trabalho. O curso é aprovado pelo Ministério da Educação (MEC) para ser ministrado em vários estabelecimentos educacionais. Tem uma carga horária de 1200 horas e duração média de 19 meses. Na matriz curricular do curso estão disciplinas como, por exemplo:

  • Inspeção de segurança
  • Gestão de emergências
  • Equipamentos de Proteção
  • Documentação de saúde e segurança do trabalho
  • Acidentes e Investigação de acidentes
  • Riscos e Análise de riscos
  • Layout de ambientes e Ergonomia
  • Tecnologias em saúde e segurança do trabalho
  • Legislação e Normas
  • Higiene ocupacional
  • Pressão sonora, Exposição ao calor, Exposição ao frio, Radiação, Vibração, Riscos químicos, Iluminamento

A partir desse rápido conhecimento sobre o currículo do técnico de segurança, os questionamentos sobre a profundidade de sua formação e qual será o real poder de intervenção desses profissionais nas organizações já se faz presente.

Por sua vez, analisando de maneira breve o documento com os 18 itens sobre as atribuições do técnico de segurança do trabalho (Portaria N.º 3.275, de 21 de setembro de 1989) nota-se logo o descompasso entre a formação e o que é esperado por lei. As atribuições variam de aspectos específicos, pertinentes ao que é percebido no curso de formação, como por exemplo, no item IX:

Indicar, solicitar e inspecionar equipamentos de proteção contra incêndio, recursos audiovisuais e didáticos e outros materiais considerados indispensáveis, de acordo com a legislação vigente, dentro das qualidades e especificações técnicas recomendadas, avaliando seu desempenho.

Até aspectos que a primeira vista ultrapassam a formação deste profissional, como por exemplo, o item XIV:

Articular-se e colaborar com os setores responsáveis pelos recursos humanos, fornecendo-lhes resultados de levantamento técnicos de riscos das áreas e atividades para subsidiar a adoção de medidas de prevenção a nível de pessoal.

 

  1. A problemática

Através da experiência com consultoria em psicologia da segurança do trabalho, é comum observar no dia a dia das empresas dois cenários marcantes.  O primeiro é que a atuação do técnico de segurança é caracterizada com muitas atribuições burocráticas, ou seja, eles estão muito focados em procedimentos, rotinas de documentação e compilação de dados. O segundo, são os profissionais de área, executantes e gestores, reclamando a ausência dos técnicos em segurança na área, junto ao dia a dia, e dizendo que precisam deles (técnicos de segurança) para fazer a segurança do ambiente.

Por um lado, olhando para o percurso histórico, essa reivindicação se justifica, uma vez que durante muitos anos não houve a preocupação com a segurança do trabalho, e a partir do momento em que foi instituído o SESMT, delegou-se a essas pessoas a responsabilidade de fiscalizar e fazer cumprir as Normas Regulamentadoras (NR), aprovadas em 1978. É um processo um tanto comum imaginar que, é papel do SESMT e por consequência do técnico de segurança, estar na área observando e fiscalizando as atividades acontecendo  em tempo real.

Alguns fatores que podem estar interligados com a percepção dos funcionários a respeito da ausência dos técnicos de segurança em campo são:  o grande número de reuniões que demandam a presença dos técnicos, a cobrança do poder público, pois novas NRs são escritas ou editadas regularmente e o efetivo número de profissionais dentro das empresas. Nesse último ponto, a lei regulamenta quantos técnicos devem ter para cada número de empregados. Embora se perceba que as empresas normalmente cumprem a lei, elas trabalham no limite, ou seja, trabalham com o número mínimo de técnicos de segurança para atender as demandas da organização. Oliveira (2003) destaca em seu artigo, reflexão sobre possíveis efeitos de se assumir essa postura:

“o juízo que os trabalhadores fazem dos aspectos de sua segurança e saúde no trabalho relaciona-se, intimamente, aos conteúdos e à maturidade dos programas de segurança e saúde desenvolvidos nas empresas nas quais trabalham. Nas empresas em que os programas de SST [Saúde e Segurança do Trabalho] são concebidos e implementados para o estrito cumprimento das exigências legais sobre a matéria, a representatividade dos trabalhadores em relação a eles certamente se limitará ao que lhes é exigido por parte da empresa”. p.11

Por outro lado, atuando com a consultoria em psicologia da segurança do trabalho, nota-se que vem aumentando a exigência por parte da empresa sobre o SESMT, uma vez que de maneira gradual, algumas companhias tem olhado a área de maneira estratégica, principalmente em termos sociais e econômicos, quando se avalia por exemplo, custo do acidente, imagem da empresa, impacto de ações na bolsa, etc.

Porém, a concepção a respeito do papel do técnico de segurança não vem mudando no mesmo ritmo, ou seja, à quantidade de demandas para o conjunto de pessoas do SESMT e o aumento da complexidade das tarefas, em contraposição à formação técnica.

Vemos que mesmo diante dos desafios atuais, com novas tecnologias (industria 4.0), novas interfaces, sendo a psicologia cada vez mais inserida na segurança do trabalho e em meio a mudanças de paradigma, como a Segurança II[2], ainda, em muitas empresas, a segurança é terceirizada como responsabilidade do SESMT e  do técnico de segurança. Por parte das intituições de ensino, não são percebidos incrementos na formação, com novas disciplinas que abordem, por exemplo, habilidades sociais, visto que, o que as empresas esperam hoje, não são mais fiscalizadores ou inspetores da segurança, como era denominado no passado, mas profissionais que saibam negociar, interagir com diversos níveis hierárquicos e fomentar parcerias para a construção de ambientes mais seguros.

Delega-se a responsabilidade e uma expectativa, sem compreender que a formação dos profissionais da área não é específica, ou seja, não são formados eletricistas, soldadores, mecânicos, ergonomistas, psicólogos, etc. para conhecer todos os riscos envolvidos nas atividades. São profissionais formados generalistas, como foi percebido na breve explanação sobre sua matriz curricular. Portanto, eles possuem uma noção geral a respeito dos riscos das diversas atividades e não podem ser entendidos como únicos responsáveis pela segurança, que deveria ser entendida como compartilhada entre todos os níveis da organização. Assim como não terão respostas prontas para todas as situações da empresa, precisando interagir de forma multidisciplinar com outras áreas.

 

  1. Considerações finais

Faz-se importante afirmar que a criação do SESMT e da figura do técnico de segurança foram marcos fundamentais para o avanço da área de segurança do trabalho no Brasil que caminhava a passos lentos, mas a evolução desse setor precisa ser constante, assim como a mudança de posicionamento e papel que ainda ocupam em muitas empresas. O SESMT precisa ter mais autonomia e liberdade para gerir as demandas de segurança, assim como formação profissional continuada, seja oferecida internamente pela empresa ou fomentanda através de cursos de capacitação. Como vimos, a formação curricular é básica e não dar suporte as premissas do documento sobre as atribuições dos mesmos e nem sobre o crescente aumento da complexidade de suas responsabilidades.

Além de atuar junto ao SESMT, as empresas precisam também investir em formação específica para os funcionários, gestores e áreas de apoio. Os treinamentos oferecidos não devem se restringir aos procedimentos e operação de equipamentos, mas focar em conceitos prevencionistas, papéis e responsabilidades de cada área perante os novos desafios, englobando o entendimento a respeito da construção de uma cultura de segurança[3] preventiva.

É claro que essa problemática não se encerra nesse esboço de análise, mas manter a mente aberta ao diálogo e a construção de novos espaços de discussão, só tem a agregar não só aos profissionais que atuam com segurança do trabalho, mas a todos os trabalhadors que são impactados pelos seus benefícios diariamente. Finalizo com uma frase  de Politzer (1970), que nos encoraga: “A história mostra que o tempo não passa sem deixar marca. Passa, mas os desenvolvimentos que ocorrem não  são os mesmos. O mundo, a natureza, a sociedade constituem um desenvolvimento que é histórico, e, em linguagem filosófica, se chama «em espiral»” p.70.

 

Bibliografia

Guldenmund, F. W. (2000). The nature of safety culture: a review of theory and research. Safety Science, v. 34, p. 215-257.

Hollnagel. E. (2014). Safety–I and Safety–II. The Past and Future of Safety Management. Ashgate Publishing Limited, England.

Lawrie, M.; parkera, D.; Hudson, P. (2006). Investigating employee perceptions of a framework of safety culture maturity. Safety Science, v. 44(3), pp. 259-276.

Ministério do Trabalho e Emprego (1978). NR 4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança          e         em                          Medicina     do                    Trabalho.                    Página        visitada        em       05       de       julho        de       2015 http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A4AC03DE1014AEED6AD8230DC/NR- 04%20(atualizada%202014)%20II.pdf

Ministério do Trabalho e Emprego (1989). Portaria n.º 3.275, de 21 de setembro de 1989. Página visitada                 em  05                                          de                             julho                        de                            2015

http://portal.mte.gov.br/data/files/FF8080812C12AA70012C13BA879A7EFC/p_19890921_3275.pdf

Oliveira, João Cândido de. (2003). Segurança e saúde no trabalho: uma questão mal compreendida. São Paulo em Perspectiva, 17(2), 03-12.

Politzer, G., Besse, G. & Caveing, M.(1970). Princípios Fundamentais de Filosofia. São Paulo: Hemus- Livraria Editora. (Originalmente publicado em 1946)

Serviço Nacional de aprendizagem Industrial [SENAI]. Página visitada em 05 de julho de 2015 http://www.sp.senai.br/senaisp/cursos/65124/604/tecnico-de-seguranca-do-trabalho.html

 

[1] Psicóloga pela UFRN (CRP 04/37084), mestre em Psicologia Social/UFMG, especialização em neuropsicologia, FUMEC/BH. Consultora em psicologia da segurança do trabalho. Adaptado do artigo para a conclusão da disciplina “Por uma abordagem psicossociológica na psicologia do trabalho e das organizações” do doutorado da UFMG/2015.

[2]Safety–II is defined as a condition where as much as possible goes right, indeed preferably as a condition where everything goes right. In analogy with resilience, Safety–II can also be defined as the ability to succeed under expected and unexpected conditions alike, so that the number of intended and acceptable outcomes (in other words, everyday activities) is as high as possible.” (pág.134), Hollnagel, 2014.

[3] Entende-se a cultura de segurança como os aspectos da Cultura Organizacional que irão impactar nas atitudes e nos comportamentos relacionados com o aumento ou a diminuição do (da exposição ao) risco na organização. Por sua vez, o padrão de funcionamento estabelecido através desses comportamentos e atitudes revela qual a maturidade da cultura de segurança da organização, identificado pelos seguintes níveis: patológico, reativo, calculativo, proativo e generativo (Guldenmund, 2000; Lawrie, Parkera, Hudson, 2006).

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O PAPEL DA LIDERANÇA PARA O DESENVOLVIMETO DE UMA CULTURA DE SEGURANÇA POSITIVA https://comportamento.com.br/o-papel-da-lideranca-para-o-desenvolvimento-de-uma-cultura-de-seguranca-positiva/ Wed, 04 Nov 2020 16:16:55 +0000 https://comportamento.com.br/?p=1637 O post O PAPEL DA LIDERANÇA PARA O DESENVOLVIMETO DE UMA CULTURA DE SEGURANÇA POSITIVA apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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O papel da liderança para o desenvolvimento de uma cultura de segurança positiva.

Autor(a):

Psicólogo Julio Cezar Ferri Turbay – CRP 08/06469

Contato: julio@comportamento.com.brwww.comportamento.com.br

Publicação:

 

Nos processos de consultoria desenvolvidos pela nossa empresa é comum ouvirmos a seguinte expressão: “precisamos desenvolver uma cultura de segurança em nossa organização”. Porem é preciso entender que toda empresa tem uma cultura de segurança, principalmente se entendemos tal fenômeno como a forma como fazemos as coisas. Ou seja, podemos ter dentro de nossas empresas culturas de segurança mais positivas ou mais negativas.

As culturas de segurança positivas se marcam pela maneira que a organização responde a estes questionamentos:

– A segurança faz parte do negócio?

– Temos uma visão de longo prazo na manutenção da Cultura de Segurança?

– A responsabilidade pela segurança se distribui de maneira uniforme e o líder é o principal responsável pela segurança, mas não o único?

– A área de segurança tem um papel bem definido como de uma consultoria interna?

– Escutamos periodicamente as percepções das pessoas quanto aos riscos e perigos presentes no nosso processo produtivo?

– A empresa tem estabelecida uma Politica de Consequências clara desde suas sanções ate seus reconhecimentos? E os trabalhadores percebem que esta politica esta sendo utilizada de maneira adequada?

– Segurança esta lado a lado com os demais valores da empresa? Sempre levando em conta o aspecto teórico e pratico?

– Existe coerência entre o que se fala e o que se faz dentro da organização?

– O ciclo PDCA das ferramentas implantadas de segurança são constantemente revisados e revisitados?

– Existe um bom alinhamento entre condições, gestão e pessoas?

– Existe um bom processo de gestão de incidentes? E os nossos indicadores são proativos?

– Os acidentes quando existem são de baixa gravidade e são analisados enfocando as aprendizagens que podemos tirar deste evento? Além do fato de entendermos os acidentes de trabalho como fatores multicausais?

Quando respondemos sim a cada uma destas perguntas podemos dizer que o “termômetro” da cultura de segurança nos esta indicando que nossa empresa tem uma cultura de segurança positiva. É um fato, que o nível desejado por muitas organizações que buscam a excelência em seu processo de segurança não é alcançado de uma hora para a outra, exige muita dedicação e continuidade no que diz respeito a programas e ferramentas de segurança que a empresa define como os vetores para o atingimento dos seus resultados.

É exatamente aqui que entra a discussão proposta por este artigo de entendermos o papel do líder para chegar a este nível de cultura de segurança desejado.

Para começo de conversa se você é um líder dentro da sua organização e respondeu as perguntas acima com um não após o outro e ainda justificava que a organização é assim mesmo que “eles” não pensam em mudar nada, etc… o primeiro conceito a ser revisto é o fato de que você (goste ou não) é a empresa. O que quero dizer com isso é que as empresas não podem ser vistas como uma pessoa com vida e que toma decisões. São as pessoas que compõem a empresa que tomam decisões.

Em um treinamento realizado com líderes perguntei aos participantes como percebiam o papel do líder para o processo de segurança e um dos participantes me disse que cada líder tem que ser a personificação da politica de segurança da empresa. E realmente esta foi uma reposta que me convenceu, pois saímos de uma visão um tanto passiva de “seguimos a politica da empresa” para somos, de fato, a politica da empresa. Entendo que um líder com este nível de discernimento atua e toma suas decisões com base nesta política.

Se o líder tem um papel tão essencial no desenvolvimento de uma cultura de segurança positiva vale que este esteja atento a alguns desafios em seu dia a dia.

A partir de atividades realizadas com líderes de grandes empresas no Brasil e em outros países da América Latina destacamos os seguintes desafios:

 

 

  1. O líder como exemplo:

O gerente de uma grande companhia me relatou uma vez que: “ser exemplo por um tempo é fácil, difícil é manter-se como exemplo”. Isso faz todo sentido quando pensamos que a vocação de muito profissionais que ocupam cargos de liderança nas grandes empresas e também o seu processo de formação sempre foi focado no desenvolvimento de habilidades voltadas aos processos produtivos. Podemos tomar como exemplo todo o movimento pela qualidade que teve sua resistência inicial, mas por se tratar de um sistema muito mais matemático e lógico esse processo começou a fazer parte da vida do líder de uma maneira mais fácil. Claro que não estou buscando simplificar as coisas ou insinuar que os sistemas de qualidade sejam mais simples que os sistemas de segurança, porem não podemos negar que o aspecto subjetivo relacionado ao sistema de segurança, talvez nos deixe com um desafio um pouco maior.

Voltando ao relato deste líder devo dizer que não podemos, de maneira nenhuma, criar uma expectativa de que o líder fara tudo certo sempre, somos humanos e podemos errar. E quando se trata de manter-se como exemplo para este mesmo gerente citado ele diz que por mais que a pessoa se esforce para manter uma linha adequada de atuação em segurança cada equivoco que a pessoa comete, possivelmente, será mais lembrado que as boas iniciativas que tomou.

De maneira prática o que devemos levar em consideração é que as atitudes, gestos e palavras de cada líder influencia a maneira como os trabalhadores vão encarar o tema segurança. Uma antiga discussão que, ainda, se vê em algumas empresas é o fato de alguns líderes, que por ficarem menos tempo expostos a alguns riscos não utilizam os seus EPI´s. Aquela velha história onde o gerente desce a planta e não põem o seu protetor auricular porque, segundo ele, o tempo de exposição é menor e não é necessário utilizar. Essa explicação esta bem do ponto de vista técnico, ou seja, é possível que por tempo de exposição aos ruídos não fosse necessária a utilização, mas aqui não se trata disso, mas sim da mensagem que passamos as pessoas. Sempre devemos buscar coerência entre o nosso discurso e as nossas práticas, isso é ser exemplo.

Cada decisão tomada por um líder tem uma carga de mensagem muito importante, por exemplo, já vi situações onde decidir por realizar uma determinada tarefa, mesmo percebendo que nem todos os riscos estavam devidamente controlados gerou nos trabalhadores uma clara mensagem de que para aquela empresa segurança não é um valor. Perceba a força deste ultimo comentário. A decisão individual do líder levou aos trabalhadores a perceber que a EMPRESA não tem a segurança como valor. Isso nãos nos deixa dúvida, temos sim que personificar a politica, ou mesmo, a mensagem de segurança que a empresa quer passar a todos os seus trabalhadores.

Ser exemplo pressupõe que o líder deverá ter a segurança como um valor pessoal, isso nos deixa a coisa muito mais fácil. Para você a segurança é um valor pessoal? Olhe suas atitudes no dia a dia, não só dentro da fábrica e pense que mensagem de segurança você passas a todas as pessoas que estão a sua volta?

A partir da reposta a esta pergunta você já terá uma importante pista para saber se você é ou não visto como um exemplo, e principalmente se a segurança é de fato um valor para você.

 

  1. Resultado X Processo:

Quantos acidentes acontecem por ano em sua fabrica? Quais são as taxas de frequência e gravidade? Quais são as principais causas dos acidentes? Boa parte dos líderes que se envolvem com segurança sabem responder com facilidade a estas perguntas, porem se enrolam quando tem que falar sobre o processo que os leva a tais resultados.

Recentemente me vi frente a um importante conflito com o gerente de planta de um dos nossos clientes. Pois ele insistia em dizer que a sua planta tinha excelentes resultados, pois já se aproximava de ter um ano (365 dias) sem acidentes com afastamento. O conflito foi gerado, pois comentei com ele que alguns resultados da planta preocupavam e que devia ter muito cuidado em afirmar que a planta tinha excelentes resultados. Por exemplo, se identificavam continuamente acidentes sem afastamentos que analisados de maneira minuciosa nos apontavam para eventos com grande potencial de gravidade, ou seja, foram eventos sem afastamento por um mero detalhe. Além de identificarmos durante o processo de treinamento de lideres uma quantidade bastante significativa de comportamentos de risco o que deixava o cenário ainda mais preocupante. O fato de se ter zero acidentes por um período como este deve ser entendido como algo positivo, mas não coloca a planta em uma situação em que pode afirmar que tem um ambiente seguro. Em circunstâncias ligeiramente diferentes os acidentes sem afastamentos citados poderiam ter ocasionado grandes perdas.

Este caso ilustra bem o que estamos tratando de diferenciar entre líderes focados em resultados e em processos. Uma cultura de segurança positiva é aquela onde os lideres vão mais além do simples resultados, mas que têm uma visão bastante crítica de seus processos. Em um de nossos clientes quando perguntamos para os lideres como esta o processo de Observação e Abordagem Comportamental ouvimos a seguinte resposta:

“Conseguimos convencer as pessoas sobre a importância dos uso de EPI´s, é incrível como a tendência de comportamentos de riscos relacionados a este aspecto esta reduzindo, principalmente nos últimos três meses, imagino que seja pela campanha que iniciamos a partir dos resultados identificados nas análises criticas feitas a cada mês. Nossa preocupação agora esta mais focada em temas de procedimentos que tem sido o ponto crítico identificado, de todas maneiras estamos pensando em fazer uma ação com todos os nossos líderes onde cada um assumiria a responsabilidade de conduzir um Dialogo de Segurança de 20 minutos tratando sobre o tema e pensamos também em realizar um trabalho mais forte de orientação das pessoas para que identifiquem os procedimentos relacionados com as atividades que vão realizar durante o processo de análise prévio de riscos, inclusive mudamos um pouco o formulário de Análise de Risco para inserir uma coluna apontando para este tema”.

Seguramente os líderes enfocados em resultados nos responderiam: “Estamos cumprindo 100% das metas de Observação Comportamental”.

E você, como responderia a uma pergunta que trata de algum processo de segurança de sua empresa? Enfocado em resultado ou no processo?

 

 

  1. Entender o motivo dos comportamentos:

Ao realizar processo de investigação de acidentes podemos diferenciar de maneira evidente as empresas que possuem uma cultura de segurança positiva. Primeiro pelo fato de levar em consideração que para a ocorrência deste acidente muitos fatores e causas podem estar relacionados. Além disso procuram investigar pelo menos três fatores essenciais que são:

  1. Os aspectos relacionados as condições no momento do trabalho que podem ter contribuído no momento do acidente.
  2. As barreiras potenciais de gestão.
  3. E os fatores humanos presentes.

Um dos grandes desafios da liderança é de fato entender por que uma pessoa toma determinadas ações. Com o processo preventivo podemos utilizar o seguinte esquema que nos deixara este aspecto um pouco mais claro:

 

Ou seja, o trabalhador deve ter uma boa percepção de risco para poder, de fato, realizar escolhas adequadas. Este também deve estar em um ambiente de confiança, onde clima e cultura de segurança sejam percebidos de fato como positivos isso tudo o leva a tomar decisões alinhadas com a expectativa da empresa. O líder tem uma influencia direta sobre os dois primeiros aspectos, ele deve ser um dos importantes vetores no desenvolvimento da percepção de risco dos trabalhadores e também é ele o principal responsável em gerar ambientes de confiança. Por fim cabe também ao trabalhador tomar a decisão mais segura, que será mais provável se houverem os aspectos citados anteriormente.

 

  1. Barreira hierárquica:

Tal como comentado no último aspecto apresentado cabe ao líder criar ambientes adequados e que chamaremos de ambientes de confiança. Para isso o líder deve buscar utilizar cada vez mais a sua capacidade de influencia. Um dos líderes com quem já trabalhei me dizia que o desafio dele não era de convencer as pessoas para o processo de segurança, mas converte-los para este processo.

Para entender melhor do que se trata o ambiente de confiança de que falávamos aqui vão alguns aspectos que o podem caracterizar:

  1. Abertura para o diálogo: os trabalhadores somente serão capazes de realizar um bom trabalho de identificação de incidentes e atos e condições abaixo do padrão, se realmente eles perceberem que o ambiente onde estão é seguro. Em algumas empresas, processos como estes são percebidos pelos trabalhadores como ou uma possibilidade de revanche, ou simplesmente uma denuncia.
  2. Transparência: cabe a liderança deixar claro suas expectativas sobre as pessoas e que estas de fatos estejam alinhadas com as possibilidades de entrega de cada um dos trabalhadores. Busque ser transparente na maneira como reconhece e sanciona a seus trabalhadores, isso fara como que os trabalhadores percebam o fator justiça em cada uma de suas decisões.
  3. Responsabilidade compartilhada: quanto mais preparamos e delegamos as pessoas responsabilidades pela segurança mais os trabalhadores sentirão confiança para participar e atuar de maneira positiva em seus ambientes de trabalho. Mas lembre-se que primeiro temos que preparar para depois delegar. Delegar funções ou responsabilidade a quem não esta preparado é uma excelente maneira de que se acabar com um ambiente de confiança.

 

Pergunte-se constantemente se suas ações são coerentes com o que você cobra de seus trabalhadores e se suas decisões são percebidas por seus trabalhadores como justas e adequadas, com isto você poderá saber se será ou não capaz de criar ambientes de trabalho pautados pela confiança.

Afinal, são estas ações que minimizam toda e qualquer potencial barreira hierárquica que possa ser criada.

 

Conclusões:

Não há duvida que o desafio de ser um líder para a segurança é bastante grande, principalmente se pretendemos estabelecer uma cultura de segurança positiva, pautada pelos principio que foram discutidos neste texto. Porem é um fato que a liderança para a segurança realizada de forma adequada é um dos grandes alavancadores de saúde organizacional. Um comentário bastante ilustrativo disto foi feito por um líder, segundo ele: “Começamos com o tema de melhorar a segurança e quando nos demos conta tudo começou a melhorar junto”.

Isso acontece porque ao atuar em aspectos de segurança de maneira realmente genuína estamos passando uma importante mensagem aos nossos trabalhadores: A vida de cada um dos nossos trabalhadores é o principal valor que temos em nossa empresa.

Se pretendemos estabelecer de fato uma cultura de segurança positiva em nossas organizações devemos atuar na capacitação constante de todos dentro da empresa, na avaliação da cultura e do clima de segurança, no PDCA de todas as ferramentas e principalmente fazer da segurança um modo de vida de nossos trabalhadores.

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QUANDO SE CONFUNDE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL COM SEGURANÇA PESSOAL https://comportamento.com.br/quando-se-confunde-seguranca-comportamental-com-seguranca-pessoal/ Wed, 27 Nov 2019 20:46:36 +0000 https://comportamento.com.br/?p=1399 O post QUANDO SE CONFUNDE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL COM SEGURANÇA PESSOAL apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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QUANDO SE CONFUNDE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL COM SEGURANÇA PESSOAL
Autor(a):
Odilon Cunha Junior

Publicação:

Da preocupação de não ter acidentes com pessoas a ter uma cultura madura em Saúde, Segurança e Meio Ambiente no Trabalho.

O objetivo deste artigo não é minimizar os acidentes que lesam pessoas no trabalho, mas sim discutir oportunidades que a gestão comportamental pode agregar no sistema de gestão tradicional de Saúde, Segurança e Meio Ambiente no Trabalho (SSMA).
Desde 2002, temos percebido uma preocupação massiva com os acidentes de trabalho com afastamento. Hoje, já identificamos empresas atentas às chamadas “ocorrências” com alto potencial de gravidade. Ou seja, as ocorrências que por sorte não se tornam fatalidades. Sem dúvida, uma significativa evolução. A Segurança Pessoal é esta legitima preocupação com danos as pessoas durante a atividade laboral.
A Segurança Comportamental, por sua vez, extrapola o conceito de diminuir os acidentes pessoais. Seu objetivo é identificar os ativadores dos comportamentos de riscos, não só do individuo, como da equipe e da própria organização. Um exemplo: uma empresa agroindustrial que solicita oficinas de percepção e gerenciamento de riscos, pois tem um significativo número de acidentes durante o processo de colheita. Seu sistema de remuneração é baseado no “quilo colhido”. Repare que o próprio sistema de remuneração é um dos ativadores dos comportamentos de risco. Outro exemplo seriam os projetos de investimento de capital ou de atividades correntes que preveem bônus em entregas antecipadas da obra. Estes bônus, se comparados com os ônus contratuais por eventuais acidentes, normalmente se sobressaem. Também as comemorações de recordes de produção sem olhar o COMO a meta foi superada, onde não são levadas em conta questões como: disponibilidade de equipamentos, manutenções preventivas ou de rotina, as próprias quebras de procedimentos de operação e manutenção e logicamente ocorrências com pessoas ou danos ambientais. Além disso, processos de recursos humanos como seleção, carreira e sucessão que priorizam questões técnicas e não essenciais, como os valores organizacionais. Da mesma forma acontece com os processos de suprimentos, comerciais… Note que a base está no sistema de gestão e por isso, logicamente, as lideranças podem interferir de forma potencial no comportamento de cada indivíduo. As lideranças, em sua maioria, agem de acordo com o que a empresa reconhece como práticas padrões e estas, por vezes, podem ser chamadas do verdadeiro sistema de gestão das companhias.
Outro enorme desafio é integrar segurança comportamental com segurança de processo. Hoje elas são compreendidas como práticas distintas e, por isso, são gerenciadas de forma separada. Deveriam ser integradas, pois não há como pensar em comportamentos sem pensar nos processos e vice versa. Somente se houver disciplina operacional, os processos robustos farão sentido. Se a visão for sistêmica e, isso quer dizer integradas, o alvo será a Continuidade Operacional. Quando uma organização consegue perceber esta questão, o seu sistema de gestão não terá mais como objetivo zerar acidentes e sim a Confiabilidade Operacional. Como consequência: experimentará uma taxa de frequência sustentável e de benchmark.

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A EMPRESA FAMILIAR: O DESAFIO DO CRESCIMENTO DO NEGÓCIO E O PAPEL DA CONSULTORIA ORGANIZACIONAL https://comportamento.com.br/a-empresa-familiar-o-desafio-do-crescimento-do-negocio-e-o-papel-da-consultoria-organizacional-2/ Wed, 27 Nov 2019 20:40:50 +0000 https://comportamento.com.br/?p=1391 O post A EMPRESA FAMILIAR: O DESAFIO DO CRESCIMENTO DO NEGÓCIO E O PAPEL DA CONSULTORIA ORGANIZACIONAL apareceu primeiro em Comportamento | Psicologia do Trabalho.

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A EMPRESA FAMILIAR: O DESAFIO DO CRESCIMENTO DO NEGÓCIO E O PAPEL DA CONSULTORIA ORGANIZACIONAL

Autor(a):
Ni Zimmermann Fernandes

Publicação:

Todo negócio tem por objetivo o seu crescimento, a sua expansão. Tal objetivo nem sempre é explícito e não é necessariamente o objetivo principal da empresa, contudo pode-se afirmar que o crescimento da empresa é uma consequência natural de sua existência.

Tal qual um organismo que nasce e cresce, a organização também possui esta ordem e, é claro que uma vez vivo corre o risco de falecer ou, mais propriamente no caso da organização, falir. Este risco pode advir de duas origens: o meio externo ou o meio interno. Mas que riscos são estes? Como exemplo de riscos provenientes do meio externo pode-se citar as constantes oscilações econômicas, a inflação, a demanda de mercado, a crescente exigência dos consumidores. E quanto aos riscos provenientes do meio interno pode-se considerar os conflitos existentes (entre funcionários e chefias, das chefias entre si, dos funcionários entre si e outros tipos de conflitos), pessoal insuficientemente treinado, planejamentos (estratégico, tático, operacional) inexistentes ou inadequados.

Grande parte das empresas no Brasil é familiar, isto é, possuem sua administração realizada por uma ou mais famílias. Segundo Oliveira (1999) a empresa familiar é caracterizada por uma peculiaridade muito específica: o processo sucessório. As empresas familiares têm a passagem do poder através da sucessão de geração para geração de uma mesma família. E é exatamente nesta peculiaridade que reside um dos maiores riscos da empresa, pois nem sempre tal processo é realizado de forma planejada e sistemática. E qual a implicação disso?

Tanto o processo sucessório familiar quanto o crescimento do negócio dependem diretamente de um planejamento muito bem engendrado, para que não haja rupturas com a força motriz da empresa: seus objetivos. E a implicação de tal ruptura é a crise, a perda de capital, a desestruturação organizacional, a quebra.

No momento da realização de um planejamento estratégico toda empresa deve fazer um levantamento de seus pontos fortes e fracos, das oportunidades e riscos. E isto é feito na tentativa de utilizar tais pontos fortes em seu benefício, buscando aproveitar as oportunidades e eliminar ou amenizar os pontos fracos para que estes não venham a causar danos futuros, minimizando, também, os riscos. Contudo algumas empresas familiares de pequeno e médio porte não consideram tais pontos e não realizam qualquer tipo de planejamento, fazendo com que a empresa cresça de forma desordenada e informal. A informalidade pode gerar certas dificuldades futuras quando da delegação de certas tarefas, da criação de lideranças efetivas e equipes eficazes.

É notório que toda empresa passa por momentos críticos ao se perceber crescendo e se desenvolvendo. Passa por diversas mudanças operacionais, estratégicas e até de paradigmas. A empresa familiar não escapa a estas mudanças, mas ainda tem somado a tudo isso o fato de ter que formalizar certos papéis, diretrizes e políticas que antes não existiam (Oliveira 1999).

Desta forma, um dos pontos principais é reconhecer se os membros da família estão dispostos a passar por esta transição complexa e, muitas vezes, conflituosa. Neste momento deve-se notar se a família possui a empresa com o maior objetivo de usufruir de sua lucratividade ou se está disposta a reinvestir nesta, considerando que tal reinvestimento não diz respeito apenas a valores financeiros, mas sim a valores humanos, tais como treinamento adequado de pessoal, capacitação de lideranças, otimização dos processos de trabalho, plano de cargos e carreiras, entre outros reinvestimentos de fundamental importância para o bem-estar da organização em crescimento.

Segundo Gersick (et al. 1997) “algumas empresas familiares parecem navegar de um ano para outro sem nunca serem apanhadas por tempestades, porém, a maioria dos líderes de empresas familiares passa por períodos nos quais sente estar pulando continuamente de um desafio difícil para outro”. E, em geral, tais desafios surgem com a explosão no crescimento do negócio e a grande demanda do mercado em relação a seus produtos ou serviços. Neste momento é que se deparam com a necessidade de revisão de seus métodos administrativos.

Portanto aí está o grande desafio das empresas familiares em expansão. A busca por formas eficazes de planejamento e operação, a criação de novos procedimentos, a revisão de paradigmas e o investimento constante no próprio negócio, quer seja nas estruturas, quer seja nas pessoas. E aí reside a importância da consultoria organizacional, pois neste momento complexo de revisão, de mudanças e planejamento a consultoria vem com o intuito de auxiliar no diagnóstico das necessidades e na sistematização deste processo.

É importante salientar que existem diversas áreas de consultoria organizacional. Podem ser consultorias financeiras, administrativas, jurídicas entre diversas outras. E dentre todos os tipos de consultoria pode-se ressaltar a importância da consultoria psicológica nas empresas, em especial às familiares, pois quando estas buscam a consultoria geralmente o fazem no momento em que os conflitos e dificuldades intensificam-se a tal ponto que já não se consegue mais administrá-los. As empresas familiares possuem a peculiaridade de ter questões de família envolvidas nas questões da empresa. Sendo assim, a consultoria adentra ao meio organizacional em uma situação delicada em que a demanda será intensiva, pois julgar-se-á que o consultor terá todas as respostas, quando na verdade este não as tem, mas sim, a capacidade de auxiliar na busca destas.

Gersick (et al.1997) diz que existe a constatação de que as empresas familiares possuem certas exigências especiais da consultoria que originam-se de duas características da própria empresa familiar: (1) a complexidade do sistema – a empresa familiar é particularmente mais complexa que as demais devido ao cruzamento de questões organizacionais e familiares; e (2) geralmente o consultor atuará em um contexto de crises emocionais – as diversas mudanças que a empresa passa, o processo sucessório, os conflitos entre diretores-familiares, entre outros motivos de crise. Portanto “o trabalho com empresas familiares desafia o consultor a reter o complexo sistema em sua mente e gerar uma compreensão dos problemas operacionais que leve em conta as dinâmicas das três dimensões” que compõem esta organização: a dimensão familiar (1), a dimensão de propriedade (2) e a dimensão Organizacional ou Gestão/Empresa (3) (Gersick, et al., 1997).

Para esta autora, ainda, existem alguns consultores que “operam como especialistas individuais, cujo trabalho enfoca um problema presumivelmente bem limitado” (Gersick, et al., 1997), mas isso pode limitar a ação quando se trata de empresa familiar, pois neste contexto demanda-se uma visão sistêmica da organização, fazendo o necessário interjogo família-empresa. Haja vista tal necessidade, a consultoria torna-se mais eficiente e, provavelmente, mais eficaz quando é composta por uma equipe em que seus membros possuem certas especialidades, a fim de atuar em todas as partes da organização interligando o todo do sistema organizacional-familiar.

Antes de se inserir uma consultoria na empresa, os dirigentes ou o dirigente deve estar atento à real necessidade desta inserção e, até mesmo, ao nível de maturidade de líderes/gerentes e funcionários na aceitação de tal serviço, pois caso contrário pode-se tornar dispendioso e improdutivo, gerando resistências e boicotes às propostas de mudança e implantação dos projetos.

Segundo Oliveira (1999) a identificação desta necessidade, para os serviços de consultoria, deve basear-se em duas hipóteses: “(1) identificação da realidade atual da empresa familiar, tendo em vista seus negócios atuais e resultados alcançados; e (2) delineamento do futuro desejado pela empresa familiar, tendo em vista seus negócios atuais e futuros e os resultados esperados”.

Portanto, deve-se ter em mente que a consultoria não é nenhum “salvador da pátria”, pois não possui todas as respostas, como já dito anteriormente. É fato que toda consultoria organizacional quando chamada para um determinado trabalho pode receber sobre si uma grande expectativa, que pode ou não ser correspondida dependendo de qual expectativa seja esta. Se o que a empresa espera da consultoria for um “milagre”, nenhum consultor poderá corresponder a tal expectativa, porém se o que a empresa espera é a otimização dos processos de trabalho e a qualificação de pessoas, então sim, existe uma grande chance da expectativa ser correspondida e até mesmo superada. Contudo, no caso da consultoria organizacional oferecida por psicólogos, esta vem com o intuito de trazer clareza para as questões que permeiam a organização, decodificando as demandas das pessoas e ajustando as relações de trabalho em busca de uma melhora da qualidade de vida e um ambiente saudável para as pessoas trabalharem.

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VARIÁVEIS QUE INTERFEREM NO PROCESSO DE ENSINAR COMPORTAMENTOS SEGUROS NO TRABALHO

Autor(a):
Juliana Zilli Bley

Publicação:

RESUMO – A capacitação de trabalhadores para atuar de forma segura ao realizar suas atividades por meio de treinamentos, palestras, reuniões pode ser importante aliada dos processos conscientização para a prevenção de acidentes de trabalho. O presente estudo foi desenvolvido com o objetivo de examinar as condições por meio das quais são planejados e realizados eventos educativos de segurança e identificar as variáveis que caracterizam o processo de ensinar comportamentos seguros no trabalho. Para isto foram estudados três tipos de eventos (treinamento de integração, treinamento de comportamentos seguros e reuniões de segurança) oferecidos por duas empresas consideradas como sendo de “alto risco” e pertencentes ao ramo metalúrgico, situadas na Região Metropolitana de uma cidade de grande porte do Estado do Paraná. Tais tipos foram escolhidos em função de seus programas apresentarem como objetivo de ensino “comportamentos seguros no trabalho”. O método consistiu no exame de documentos relacionados com a gestão de segurança, na realização de observação direta dos três tipos eventos escolhidos e na realização de entrevistas com cinco instrutores que ministraram os eventos observados e vinte participantes dos eventos observados escolhidos em função da natureza da atividade desenvolvida (operação e manutenção).

 

Os dados coletados permitiram examinar os aspectos considerados no planejamento e na realização do ensino, as percepções dos funcionários sobre condições de segurança do seu trabalho e de aprendizagem de comportamentos seguros no trabalho e os tipos de concepções de instrutores e funcionários sobre o conceito. Como resultados constatou-se que a formação insuficiente dos instrutores para atuarem como “agentes de ensino” pode refletir negativamente na escolha dos métodos de ensino, dos temas e exemplos apresentados e na avaliação da aprendizagem dos participantes. Os resultados também permitem inferir que, apesar do alto nível de informações que os funcionários possuem sobre prevenção de acidentes, eles se percebem como pouco capazes de agir sobre os riscos das atividades que desenvolvem. Por fim, os dados indicam significativa diferença entre aquilo que instrutores e funcionários entendem por “comportamento seguro”, o que reitera a existência de lacunas no sistema de ensino-aprendizagem utilizado para capacitar trabalhadores a comportarem-se de forma segura durante a realização das atividades reduzindo os riscos de ocorrência de acidentes de trabalho. As decorrências de tais constatações dizem respeito à formação de instrutores de treinamento, ao desenvolvimento de métodos de ensino condizentes com a realidade de segurança da organização na qual ocorrerá o evento, às diretrizes de capacitação e campanhas de conscientização em segurança propostas pelas empresas, àquilo que empresas, trabalhadores e profissionais da segurança no trabalho têm conceituado como “comportamentos seguros no trabalho” e, por fim, à própria atuação do psicólogo no campo da segurança no trabalho.

 

Palavras-chave

 

Prevenção de acidentes de trabalho, programação de condições de ensino, competências para a segurança no trabalho.

 

Estudo produzido para obtenção do título de Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob a orientação da Profa. Dra.Olga Mitsue Kubo na Linha de Pesquisa “Processos organizacionais, trabalho e aprendizagem”.

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